DUNE REDUX – A versão perdida do clássico filme de David Lynch.

Já postei isto no meu outro blog, especialmente dedicado ao cinema de culto mas achei que seria importante divulgar por aqui também pois os meus leitores são variados e entre eles podem estar muitos fãs [“DUNE”] que desconhecem que existe uma versão alternativa e irão gostar do que vem a seguir. Lamento o tamanho do post, mas a raridade do filme assim o justifica e como tal este é o local certo para dar a conhecer este título que aposto ainda hoje muita gente desconhece, seja na versão original, seja nesta “nova” versão que nenhum fã de Dune pode deixar de ver.

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Por isso este post especial e especialmente longo é sobre dois DUNES num só; ao mesmo tempo que irei falar da versão de 1984 muito do que tenho para dizer inicialmente irá depois remeter para aquilo que nos traz aqui; a divulgação de uma versão alternativa de [“DUNE”] que, por questões legais não pode ter divulgação nos media e nunca será editada em DVD ou Bluray. Pelo menos não tão cedo. E devia, pois é quase, quase perfeita.
Portanto, ficam desde já avisados que este post vai ser grande e terão muito para ler.
Se são fãs de [“DUNE”] realizado por Lynch e nunca ouviram falar de [“DUNE REDUX”] então acho que vão adorar.

Se nunca gostaram do filme , não é com esta versão que irão mudar de ideias e podem passar a outro post; mas se gostaram do original vão adorar o que proponho a seguir.
A versão de [“DUNE”] realizada por David Lynch em 1984 para o cinema foi para mim juntamente com THE NEVERENDING STORY ( e LADYHAWKE ), um filme determinante no desenvolvimento da minha imaginação e a minha grande referência em termos de ambientes de fantasia ou mundos fora deste mundo.
Mais do que Star Wars em 1977.
Pessoalmente o mundo de DUNE marcou-me muito mais
Por volta de 1984, aos 14 anos queria ler muito os romances originais, pois sabia que existiam mas não estavam editados em Português e encontrarmos uma edição inglesa do que quer que fosse nessa época, era um daqueles acontecimentos raros. Lembrem-se que estamos a falar de uma Era onde não existia Internet. Yes kids, that existed ! Na pré-história.
Vi portanto o filme em 1984 pela primeira vez no cinema numa altura em que as pessoas ainda podiam ir às salas sem conhecerem o filme de ponta a ponta de antemão e portanto também eu entrei sem conhecer nada sobre  a história para lá de alguns de desenhos de capas que tinha visto.
Para mim foi um verdadeiro universo novo que se abriu naquele momento. Star Wars tinha sido fantástico, mas o mundo que DUNE mostrava era realmente do outro mundo. A começar pelas naves que pareciam feitas de qualquer material alienígena semelhante a osso e não precisavam de propulsores para voar ! Nem se pareciam com aviões !
Adorei a estética totalmente alienígena dos ambientes e todo o visual do filme foi uma referência marcante na minha imaginação desde então.
Não deve haver ilustração minha de FC que não tenho um bocadinho de Dune algures.

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Aliás, eu devo ter sido o único puto que apesar de ter adorado o Guerra das Estrelas quando o vi no final dos anos 70 ( e muitas vezes depois ainda no cinema da minha terra (em mono ainda)), não ficou particularmente marcado por esse universo na forma como foi determinante na minha imaginação e me levou muitos anos depois até ao trabalho de ilustração em que estou metido hoje em dia.
Star Wars marcou, foi giro, mas Dune foi tudo o que queria ver num universo cinematográfico de FC. Para começar, podia ser um filme, mas parecia -um romance- em imagens pois desde logo que senti que esta história só poderia ter vindo de um livro, iguais áqueles que eu comprava na coleção de FC da Europa-América na altura.
[“DUNE”] ( e The Neverending Story ) foram uma revelação sensorial.
A partir do momento em que vi estes dois filmes eu tive a certeza de que o que eu  queria fazer era criar mundos imaginários, fosse lá de que forma fosse, pois havia universos por descobrir que só eu tinha visualizado na minha imaginão.

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[“DUNE”] ficou-me também na memória, como sendo um daqueles filmes que vi encher por várias vezes a sala de cinema da minha cidade. Não só durante a estreia mas também depois nas outras vezes seguintes em que o filme regressou ao Cine-Teatro de Portimão; isto numa época em que não estreavam blockbusters de Hollywood todas as semanas e os que apareciam uma ou duas vezes por ano, raramente chegavam aos cinemas de província que funcionavam essencialmente a vapor com filmes do Bud Spencer todas as semanas e pouco mais.
[“DUNE”] das cinco vezes que me lembro de ter voltado ao cinema da minha cidade entre 1984 e 87 encheu sempre a sala e juntamente com Back to the Future foram os únicos dois filmes em que vi isso acontecer sucessivamente; anos depois da primeira estreia.
Se [“DUNE”] passava por Portimão entre 84 e 87 era sala cheia certa e nunca mais me esqueci disso.
Portanto, o filme de Lynch pode ter sido considerado um flop nos cinemas americanos, mas… em Portimão foi sempre um sucesso; ( parece que os americanos não percebiam bem o filme e assim e tal…mas malta aqui nunca pareceu ter problemas em apreciar a história. Mesmo com tanto ambiente e personagens bizzarros.)

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Quando surgiu depois em VHS nos clubes de video em aluguer anos mais tarde, lembro-me que também era um daqueles títulos que estava sempre fora e inclusivamente teve honras de destaque quando depois um dia no final dos anos 80 passou na sessão de cinema das quartas-feiras à noite.  Na RTP1 que nessa altura mostrava essencialmente filmes do Fred Astaire ou titulos de gansters dos anos 40 com o James Cagney mas tinha sempre reservadas as quartas-feiras a seguir ao telejornal para o cinema. Nesse dia passou uma cópia em 4:3 pan & scan que gravei e que revi duas vezes nessa mesma noite madrugada fora até ser dia.
Mas pelo visto não era só eu que gostava tanto deste filme já nessa época. Sempre ouvi muita gente falar dele com muito entusiasmo.
Parece que [“DUNE”] juntamente com Blade Runner, por qualquer motivo é ainda hoje um dos filmes da vida de muita gente, até para quem afirma não gostar nem nunca ter gostado de ficção-científica; mas para esses dois, dizem abrir uma excepção.
Já perdi a conta ás pessoas que me dizem: – “ai eu não gosto nada de ficção científica mas o Dune e o Blade Runner … “.
Acontece muito junto de mulheres  sem eu nunca ter percebido muito bem a lógica disto. Se calhar tem a ver com a explicação para [“DUNE”] ter tido sempre casa cheia por cá quando ainda passava ciclicamente no cinema, a long time ago… numa Era que já não existe. Tinha público de todas as idades, géneros e preferências cinéfilas.
Isto numa Era em que uma pessoa podia ir ao cinema e conseguir ver o filme e tudo !
Uma Era onde estavam proibidas todas as comidas e bebidas nas salas, as pipocas só no intervalo e quem se armasse em parvo perturbando as pessoas durante a projecção era pura e simplesmente expulso da sala pelo lanterninha sem medos do politicamente incorrecto ou receio de perder clientes para o estabelecimento. Espirravam demasiado, RUA ! Bons tempos.
Uma Era onde também os trailers do filme não explicavam o filme todo; e talvez tenha sido esse o problema para que [“DUNE”] não tivesse singrado com sucesso nos cinemas americanos na altura. Eles tinham mesmo de pensar durante o filme.

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Após um rodagem muito atribulada onde David Lynch teve imensos problemas com o produtor Italiano, Dino de Laurentis , [“DUNE”] estreou nas salas numa versão que foi sempre desprezada pelo pelo próprio realizador, pois a verdade é que o [“DUNE”] que todos vimos no cinema, que depos saiu em VHS e passou também na televisão Portuguesa afinal não coincidia com o argumento que Lynch tinha escrito e que julgava poder vir a filmar sem interferências.
O problema é que Dino de Laurentis licenciou a obra de Frank Herbert, o romance DUNE original pensando que tinha ali qualquer coisa que podia transformar fácilmente numa imitação Italiana de – RETURN OF JEDI – que estava na berra na altura com o terceiro filme Star Wars a rebentar nas salas. Ora naves espaciais, coisas no espaço, monstros feios, cobras gigantes, planetas desertos… isto parece-se mesmo com o Star Wars pensou o Dino de Laurentis e vai daí toca a investir não só num orçamento confortável ( foi o filme mais caro desse tempo ); como também contratou o realizador-revelação da altura para dirigir o épico espacial, convencido que os elogios na imprensa a David Lynch por causa do filme Eraserhead e O Homem Elefante seriam logo garantia de óptimas reviews para [“DUNE”] e por acréscimo fizesse tanto guito nas bilheteiras como a saga de George Lucas estava a fazer. E este metia o Sting e tudo!

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Quando o produtor Italiano percebeu que afinal David Lynch não estava a usar o romance de Frank Herbert apenas como inspiração para depois realizar o clone de – O REGRESSO DE JEDI – que lhe tinha sido encomendado a coisa complicou-se entre os dois.
Lynch tinha antes escrito um argumento que não só adaptava  bem o livro original mantendo inclusive muitas características literárias nos próprios diálogos no texto, como ainda por cima o situou visualmente num universo único que tinha muito pouco em comum com os cenários que o Dino tinha visto no Star Wars, o que não agradou nada ao produtor Italiano e a bronca rapidamente chegou ás publicações sobre cinema na altura. Dune foi mais outro daqueles projectos que ainda não tinha saído e a imprensa já apelidava de – fiasco absoluto -, o que é um conceito que me ultrapassa de todo ( e que voltou a acontecer recentemente com o fabuloso John Carter of Mars ).
Tudo culminou no facto do próprio David Lynch ter sido proibido de se aproximar da sala de montagem e impedido de ter qualquer voto na matéria em termos da forma que a versão para cinema iria ser cortada, recortada e montada; pois o objectivo do produtor era “salvar” o que tinha sido filmado e tentar cortar o filme de forma a se aproximar o mais possível da imitação-spaghetti-StarWars de alto orçamento que Dino de Laurentis queria que [“DUNE”] fosse a todo o custo.
Reza a lenda,  que foi o próprio Dino de Laurentis a dirigir a montagem do filme de Lynch e daí as falhas narrativas evidentes que por vezes se notam na versão de cinema, acabando por prejudicar a estrutura da história filmda , coisa que incomodou ainda mais o público americano que aparentemente na altura não percebeu nada do que viu.

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Apesar de no entanto, o próprio escritor Frank Herbert ter ficado bastante satisfeito com a visão de Lynch, Dino de Laurentis não queria saber.
O que os Italianos queriam era um clone de – O Regresso de Jedi –  mas ficaram com algo totalmente original entre mãos; tão original que não souberam como vender nem do lado Italiano, nem do lado Americano.
Mas, (tal como está evidenciado nas entrevistas dos extras de uma das edições dvd região 1 para Dune), Frank Herbert sempre apoiou o trabalho de Lynch e a sua visão da obra, chegando a dizer nas entrevistas que o filme era não só o verdadeiro DUNE como ainda por cima tinha sido melhorado com um universo visual perfeito que ele próprio não tinha imaginado ao escrever o livro.
Para quem leu o livro ( e sequelas ), tornou-se impossível voltar a reler a obra depois de [“DUNE”] criado por David Lynch ter surgido, sem reproduzirmos na nossa mente os ambientes gótico-steampunk que podemos contemplar no filme de 1984; ( o romance conta com muito poucas descrições de ambiente, o que sempre deu imenso espaço para o leitor imaginar o seu próprio visual e liberdade total a Lynch para colocar a sua marca visual que em última análise foi tão importante para o design de mundos imaginários como Blade Runner o foi para paisagens de cidades futuristas e ambientes noir de FC).
Essencialmente [“DUNE”] em 1984 veio criar uma divisão que nunca mais foi esquecida.
Há o antes e o depois do filme ter saído.
Quem leu os romances antes ou nunca viu o filme de Lynch tem um livro muito diferente na cabeça; quem leu os romances depois só consegue imaginar os ambientes em total mode de fantasia steampunk visualizados pela equipa de Lynch e aprovados pelo próprio escritor na altura.
A tal ponto que muita gente está até convencida que aquele ambiente visual fazia parte dos livros originais quando foi na realidade idealizado por Lynch e não por Herbert, apesar de alguma inspiração para o filme ter partido das primeiras pinturas que foram feitas para a edição ilustrada do livro no final dos anos 60 ( e que são fantásticas, mas mais uma vez foram imaginadas pelo artista pois não partem de verdadeiras descrições detalhadas no romance ).

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[“DUNE”] pode ter sido oficialmente um flop de bilheteira na américa, mas teve resultados excelentes no resto do mundo, em particular na Europa onde acabou por fazer bastante dinheiro ao longo dos anos quando se tornou um filme de culto. Em Portugal foi muito bem recebido e tenho ainda recortes e jornal da época com reviews excelentes.
O problema é que isso não satisfez Dino de Laurentis e levou a que no final dos anos 80 este tivesse licenciado o filme para passar na televisão americana mas numa nova montagem completamente alternativa e que incluía quase uma hora extra de filme, que o próprio Dino deitado fora quando montou o filme para cinema á sua maneira, ignorando Lynch !
A ideia de que finalmente poderiamos ir ver uma versão longa do filme podia parecer excelente à partida mas não foi.
Aliás…
Foi do pior mesmo.
Mesmo.

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Acabou por piorar a fama do original; pois muita gente que só viu a versão extendida pensou que esta era o filme que tinha estado nas salas e para complicar mais as coisas esta montagem surgiu depois também à venda em DVD como sendo “a versão integral” o que veio contribuir ainda mais para o mau nome que já perseguia [“DUNE”] nos estados unidos desde sempre.
Isto porque ao contrário do que seria de prever, quem montou esta versão-estendida para passar na TV americana licenciada por Dino de Laurentis ao integrar as cenas extra não o fez seguindo guião original de Lynch, mas sim montou tudo de forma a que [“DUNE”] – “fosse mais fácil de perceber” – para os espectadores americanos, tornando a versão estendida tão má e tão – burra- que inclusivamente incluiu um início alternativo todo narrado em slides com ilustrações do pior e do mais amador possível, num estilo que não tem nada em comum com o universo Dune e foram claramente esboços de cor feitos à pressa.
Início esse onde um narrador americano explica em detalhe tudo o que se irá passar na história do filme; quem são os personagens, onde vivem, quem são os bons, quem são os maus, etc, etc, etc. Não só explica, como complica pois muita desta nova backstory mais parece as origens de um qualquer super-heroi da Marvel do que algo pertencente ao universo Dune. Esta nova “origem” em alguns momentos parece até decalcada do conceito da Galactica em relação aos Cylons por exemplo. O que quer dizer que esta parvoíce nem fez parte sequer do romance original, mas por causa desta desgraça muita gente que não leu os livros pensa que isto está nos romances descrito desta forma idiota.

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Como se isto já não fosse mau, os “editores” desta versão televisiva INVENTARAM até cenas para tornar o filme mais fácil de perceber. E quando eu digo – inventaram – é … INVENTARAM MESMO !
Ou seja, na mesa de montagem pegaram em bocadinhos de outras cenas que pertenciam a partes diferentes do filme, colaram-nos uns aos outros e construíram novas cenas que nunca foram filmadas !
Isto apenas porque o canal de TV achava que haviam partes da história que ainda não estavam muito claras pois o livro era muito confuso…
Como não havia material filmado por Lynch disponível onde os personagens – explicassem a história – ao espectador ainda mais em detalhe, essas cenas adicionais foram “cozinhadas” visualmente para que depois o editor ligasse umas cenas originais a outras com um contexto que se tornasse mais – simples – de entender para o espectador típico.
Uma dessas cenas ficou famosa como exemplo do que uma montagem pode fazer para mudar um filme. Trata-se de um segmento em que vemos a Reverenda-Madre a viajar a bordo de uma nave de um sitio para o outro a meio do filme.
Ora isso nunca aconteceu nem no livro nem no argumento original de Lynch e portanto essa “cena” foi construída na mesa de montagem do canal de Televisão usando bocadinhos de uma outra cena espacial , – colada – a uma outra parte em que a Reverenda-Madre está sentada num quarto a meditar.
E sendo assim, PUF ! Por magia, o quarto passou a interior de nave e a meditação da senhora passou a ser uma cena de viagem no espaço do ponto A ao ponto B do universo.
E isto nem é o pior exemplo, mas deixo o resto par vocês explorarem caso tenham “o prazer” de se depararem com essa versão “televisiva” pela frente um dia.

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Resultado aquela que ficou conhecida como a versão extendida de [“DUNE”], para televisão é tão má , mas tão má que o próprio David Lynch EXIGIU que o seu nome fosse retirado dos créditos.
Esta versão para TV com uma qualidade de imagem atroz e remontada num horrível 4:3 em Pan & Scan, é oficialmente conhecida como o [“DUNE”] “realizado” por – “ALAN SMITHEE” – que para quem não sabe é o pseudónimo usado em Hollywood quando há problemas com um filme e um realizador se recusa a ter o seu nome ligado a um resultado cinematográfico de merda, normalmente culpa do produtor, como foi aqui culpa de Dino de Laurentis.
Portanto amigo leitor, para saber se está ou não a ver a cópia certa de [“DUNE”] basta procurar pelo nome do realizador nos créditos.
Se estiver lá – “Directed by Alan Smitee” é a versão errada. Fuja !

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Curiosamente… ou talvez não, sabe-se lá porque carga de água (surpreedentemente… ou talvez não)… esta versão “realizada por Alan Smithee” que passou na televisão americana um par de décadas atrás é a preferida dos norte-americanos !!!
Não acreditam ? Basta lerem alguns comentários na internet.
Até há gente que na Amazon, mete reviews a falar mal dos blurays com a versão original do filme, dizendo que é péssima pois está -cortada- e queriam era mesmo a versão “integral” de trés horas que tinham visto na televisão !!!
Mesmo mutilada em 4:3 Pan & Scan, tem sempre melhores reviews do que a versão original para cinema, isto porque segundo alguns utilizadores, (esta atroz montagem televisiva) é a versão – que se percebe melhor – pois a história está toda bem explicadinha logo desde o início…
Não interessa se até o inicio foi totalmente inventado para essa versão e reduzido ao pior estereotipo debiloide de um mau comics gringo de super-herois. Eles gostam.
O que quer dizer que pelo visto Dino de Laurentis tinha razão quando estava mais interessado em apontar á burrice do espectador médio norte americano do que em fazer uma boa adaptação do livro, para desgraça de Lynch que acabou por ser quem levou com as culpas do filme supostamente não ter resultado… dizem as más linguas…
Trinta anos depois… quando ainda se fala dele…e definiu um género e uma estética…

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Essa versão “televisiva” atroz até há bem pouco tempo era bem fácil de se encontrar em DVD o que causou uma grande confusão, pois houve muita gente que comprou esse dvd horrível pensando estar a comprar a versão de cinema oficial, (até porque em algumas edições a capa era idêntica e o resultado foi um caos publicitário total).
Eu comprei de propósito só para a ver com os meus próprios olhos pois não queria acreditar que fosse tão má como afinal foi.
Ainda hoje muita gente que não viu o filme no cinema e só viu aquela remontarem televisiva em dvd não gostou do que viu , precisamente porque era impossível ter gostado.
E não confundir essa versão televisiva com a mini-série criada no ano 2000 ( ou a sua sequela “Children of Dune”; que adapta o mesmo romance ( e sequelas ) com um argumento que se assemelha bastante aquele que Lynch deveria ter montado mas que Dino de Laurentis não permitiu.

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Dune só deve ser visto ou na sua versão de cinema assinada por David Lynch ou na actual FANEDIT – DUNE REDUX remontada por alguém intitulado “Spicediver”.
Tudo o resto é puro lixo. Mas lixo à volta de versões de Dune é coisa que abunda na internet para ser comprado e pirateado, por isso muito cuidado com o que compram ou sacam dos torrents…
Mas no universo [“DUNE”] nem tudo está perdido.

O que nos leva então ao grande motivo deste post gigante, mas que não podia ter passado sem a introdução interminável efectuada atrás. Sorry about that…

Passemos então á nova versão de [“DUNE”] que a partir de agora será referida como [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] para efeitos de review e distinguir-se da montagem original de 1984 realizada por Lynch.

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DUNE REDUX – THE SPICEDIVER FanEDIT

Se gostaram do original em 1984 e sempre quiseram ver uma versão maior, é esta !

Para começar [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] segue o mais possível à risca o argumento original de Lynch que tinha andado perdido durante décadas pelos arquivos dos estúdios americanos, essencialmente no balde do lixo e foi recentemente recuperado pelos autores desta nova montagem.

Mas isto surgiu como ? Quem são estes tipos ? Como o conseguiram ?…

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Essencialmente [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é resultado do conceito de – “FANEDIT”; uma espécie de clube anónimo mundial de pessoas que trabalham no meio audio-visual e cujo algumas operam inclusivamente a partir do interior dos estúdios tendo acesso a muito material de arquivo relativo a produções famosas e não só.
Tudo isto é feito à margem da lei no que toca a copyright e portanto a identidade destas pessoas é desconhecida.
Neste caso, “Spicediver” julga-se que é apenas uma pessoa mas pode ser pseudónimo de um grupo de criativos em modo stealth ao melhor estilo Anonimous.
Toda a comunidade “Fanedit” é uma comunidade incrivelmente fechada e até há bem poucos anos para conseguir contactá-los tínhamos de passar por um processo de selecção e filtragem que mais parecia um exame para trabalharmos para a CIA.
Quando [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] foi anunciado mas não estava disponível ainda em torrents públicas, até que me tivessem disponibilizado o link privado para download da minha cópia tive de passar por uma série de testes de confiança que duraram quase uma semana em emails e links osbscuros para trás e para a frente e que mais parecia um teste do KGB. Mas compreende-se a segurança necessária. Ainda hoje é particularmente dificil termos acesso aos trabalhos FanEdits pois o grupo não disponibiliza downloads ou indica sequer onde estarão links. Se queremos muito uma versão de qualquer filme remontado por eles ( e recomendam-se ) temos de ter muita paciência e perseverança para embarcarmos em verdadeiras caças ao tesouro.
Isto porque a filosofia – fanedit- é a de puramente servir o cinema e restaurar material inédito à sua velha glória, sem lucrarem ou principalmente dar a lucrar a terceiros com esse trabalho de pesquisa e montagem. Mais sobre este pessoal anónimo no site oficial.

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Portanto os criadores de [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] são profissionais da área com acesso a material que muita gente julgava inclusivamente estar perdido mas que foi recuperado após alguns anos de pesquisa, neste caso por “Spicediver” que poderá ser uma única pessoa ou não.
[“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é na verdade já uma terceira versão do projecto inicial de restaurar DUNE. As versões anteriores também foram lançadas mas eu pessoalmente nunca as vi, pois esta última é a versão realmente considerada por toda a gente que teve acesso a ela.
E sim, tudo o que lerem de positivo sobre este trabalho é verdade.

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[“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é DUNE o mais aproximado possível da visão de Lynch. Os seus autores seguiram inclusivamente o guião original e todas as cenas estão nesta versão agora remontadas pela ordem cronológica correcta e originalmente pensada. É certo que nem todas as cenas puderam ser encontradas pois provavelmente Dino de Laurentis nem as deixou filmar, mas muito do que está em [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] segundo Spicediver, foi suficiente para restaurar o filme praticamente na totalidade de acordo com o que foi escrito e planeado por Lynch décadas atrás, seguindo o guião cena a cena o mais fielmente possível.
Como resultado, [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] tal como a versão televisiva atroz, décadas atrás tem também quase mais uma hora de cenas extras incluídas, só que desta vez não foram apenas coladas à parva mas sim com uma lógica legitimada pelo próprio guião.

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Além disso, Spicediver não se limitou apenas a remontar o filme, mas tentou inclusivamente melhorar  em termos técnicos todas as cenas adicionais. Tanto em som como em limpeza de imagem [“DUNE REDUX – The “Spicediver” Edit”] foi alvo de um trabalho apurado o que contribui para que o resultado tenha tido a qualidade que tem.
É certo que se nota alguma discrepância óbvia entre as cenas originais e as cenas novas pois o material perdido estava muito mal tratado, mas de qualquer forma tudo resulta e os fãs de DUNE irão adorar ver esta versão.
Especialmente se forem fãs não apenas do filme de Lynch mas principalmente do romance de Frank Herbert.
DUNE nunca esteve tão de acordo com o livro como está nesta versão.
Não faltam inclusivamente a separação de capítulos que divide o romance em várias partes únicas dentro da história. Também [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] reproduz essa lógica da novela, o que nos faz sentir imediatamente que estamos a ver um DUNE muito fiel às suas origens literárias.

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[“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] começa de uma forma diferente da que estamos habituados a ver, pois antes da clássica introdução da princesa Irulan agora a história inicia-se com uma breve sequência mística que certamente teria aborrecido de morte e confundido metade dos espectadores americanos se tivesse sido esta a abertura do filme originalmente nas salas.
Pessoalmente estou tão habituado ao monólogo da princesa no início que estranho imenso esta nova abertura, por outro lado, entra directamente pelo ambiente místico do filme adentro e é perfeita para mostrar logo de início que esta versão de DUNE vai ser realmente algo de especial.
Até porque esta cena nova inicial nem estava completa sequer na péssima remontarem televisiva “de Alan Smithee” anos atrás, talvez para não assustar as plateias.

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Essencialmente [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é um espectáculo.
Não se conhece opinião de David Lynch sobre o assunto porque ele não gosta muito de falar sobre esta sua experiência no cinema blockbuster mainstream, mas não me admirava nada que este tenha ficado bastante satisfeito. Pessoalmente duvido que um verdadeiro director´s cut viesse a ficar melhor do que esta versão e portanto Lynch deve ter gostado também do resultado, ainda para mais um trabalho verdadeiramente -indie-  à revelia dos estúdios.

Até incluíram um par daqueles desenhos atrozes do cut televisivo e conseguiram-nos fazer funcionar dentro do novo contexto. Puro milagre.
[“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é uma daquelas versões cheias de coisas novas. Pensem no directors cut do Lord of the Rings mas ao cubo em termos de novidades e se procuram por cenas extra que nunca viram esta versão é imperdivel, especialmente se a compararem com o que leram no romance original e perceberem como tentou ser fiel ao livro.
As mudanças são muitas e como este texto já vai longo, poderão ficar a conhecê-las aqui no site oficial na lista informativa criada por Spicediver.
https://ifdb.fanedit.org/dune-the-alternative-edition-redux/

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Apesar deste trabalho ser extraordinário, há no entanto um par de coisas com que eu não concordo de todo.
Penso que não deveriam ter usado alguns takes alternativos de algumas cenas, pois os takes originais presentes na versão de Lynch na minha opinião eram infinitamente melhores e não entendo o critério de substituição.
Por exemplo no início algumas cenas com o Imperador são do pior e do mais amador em termos de representação de José Ferrer e não se percebe; mais parecem um ensaio inicial do que um take final e alguns diálogos são tão maus que nos retiram imediatamente de dentro do universo do filme.
Também não concordo que tenham mexido no som em algumas sequências.
Por exemplo o – Navegador – agora tem uma voz diferente e um ritmo de diálogo muito esquisito parecendo novamente ser mais um take de ensaio do que outra coisa quando o original tinha bastante carisma. Não entendo de todo porque está assim nesta versão.

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Mas para mim se [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] tem no entanto uma coisa extremamente negativa esta foi a total remoção ou redução dos diálogos internos dos personagens quando no original os ouvíamos a pensar ou meditar e que davam tanta identidade e atmosfera misteriosa ao filme.
Mas que raio têm os americanos contra aquelas cenas mais contemplativas ?!
Essas partes no filme original contribuíam totalmente para o tom intimista e místico que só ficava bem em Dune mas aqui nesta versão praticamente sumiram.
Não entendo de todo e para mim é a única coisa verdadeiramente péssima desta versão que tirando isso é absolutamente notável.
Parece a mesma situação que aconteceu em Blade Runner, quando por qualquer motivo que me ultrapassa Riddley Scott sempre achou que a narrativa em estilo detective noir de Harrison Ford no inicio do filme não se integrava bem. Eu pelo menos continuo a sentir mesmo falta dessa atmosfera no início do filme e o mesmo se aplica aqui a [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] por terem removido aquilo que para mim era das coisas mais atmosféricas em termos de ambiente Dune; os pensamentos dos personagens. Why ?!!

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De resto, tudo fantástico. A inclusão de novas cenas é bastante bem-vinda, especialmente quando o filme entra pelas partes com os Fremen onde há muita coisa nova, entre as quais a famosa cena que se julgava perdida, onde se assiste á origem da água da vida expelida pelos vermes pequenos numa cerimónia religiosa.
As divisões do filme em capítulos são uma adição fantástica que apesar de simples nos remete imediatamente para o universo do livro e algumas mudanças aqui e ali em termos de ordem de cena e extensão ou redução de tantas outras transforma [“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] na versão a não perder de todo.

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Há muito mais para contar, mas é melhor ficar por aqui e recomendar a toda a gente que desconhece que esta versão existe, que a vá buscar quanto antes, pois está cada vez mais rara; neste momento só há um par de torrents com poucos seeds que a disponibilizam por isso despachem-se.
Eu estou a partilhar a minha, por isso pelo menos uma partilha vão encontrar ainda.
Existem também na net, legendas para esta versão , tanto em inglês como em Português do Brasil. Eu não consigo agora encontrar o link mas actualizarei este post assim que o localizar.

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Posto isto… o que dizer de DUNE enquanto filme ? Para mim pode ser uma obra-prima falhada, mas continuará a ser absolutamente mágico.
Deve ser um dos filmes que mais revi até hoje e practicamente como em THE NEVERENDING STORY, CASABLANCA, LADYHAWKE, THE BIG BLUE, BLADE RUNNER, entre outros sei practicamente os diálogos de cor.
Visualmente pertence a uma Era pré-digital onde a arte das maquetas brilhava e quanto a mim prefiro mil vezes os SANDWORMS articulados em DUNE que mil maravilhas digitais modernas onde tudo parece um desenho animado.
O mundo de Dune continua sólido e real.
Em Dune mesmo nas cenas mais fracas em termos de efeitos logo esquecemos isso pois a atmosfera do universo é tão absorvente que os vermes de areia continuam absolutamente fascinantes. E quem se recorda de os ter visto num clássico ecran gigante de cinema  nunca mais irá esquecer do efeito que era ver um monstro destes sair debaixo de uma duna de areia numa daquelas paredes que fazem as ridiculas salinhas de video dos cinemas de centro comercial actuais parecerem miseráveis em comparação.

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O digital pode ser muito giro mas ainda não chegou a atingir este nível orgânico que um bom efeito práctico consegue atingir. Mesmo velhinho.
E talvez o maior problema de Dune actualmente seja até o de que genericamente já não existem salas de cinema suficientemente épicas para complementar a atmosfera mágica que um filme tão old-school como este ainda consegue recriar.

Já agora, provavelmente não sabem, mas segundo uma das entrevistas com Frank Herbert num dos extras de uma edição Dvd região 1 lançada anos atrás, DUNE o livro, não se deveria ter chamado DUNE mas sim “MARS“.

Frank Herbert por questões de copyright na altura foi aconselhado pela editora a mudar o nome e o romance passou a chamar-se Dune, tendo também todas as referências relativas ao planeta MARTE sido removidas do texto no romance por sugestão do editor, o que foi benéfico para o trabalho, pois segundo o autor, tornou o mundo de Dune ainda mais enigmático e potencialmente místico do que este tinha tido a intenção de ser.
Também concordo e achei fascinante este detalhe que não conhecia de todo mas que por acaso até vai ao encontro de outro dos meus outros tópicos favoritos, precisamente tudo  o que envolve o passado misterioso do planeta Marte.

O tema não foi aprofundado na mesa redonda gravada em video com muito mau som e imagem que estava no dvd, por isso nunca se soube bem se isto seria um Marte num passado muito remoto ou num futuro muito distante.
Apesar das datas apresentadas no livro e no filme, a coisa para quem conhece este pormenor fascinante fica por discutir.
Para mim gosto de pensar que DUNE será MARTE num passado muito, muito remoto, biliões de anos atrás quando o universo ainda era jovem e a magia fazia parte da natureza, um pouco como foi representado também noutro titulo de FC que recomendei mais atrás, Garm Wars. Curiosamente outro filme claramente inspirado na estética de Dune primeiramente apresentada por David Lynch neste trabalho supostamente falhado que hoje é ainda admirado por tanta gente e marcou uma era no que toca ao próprio design de mundos alienígenas para cinema.

Posto isto…

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CLASSIFICAÇÃO

Depois de um texto assim o que dizer mais ?…
Se são fãs de DUNE nem deviam estar a ler isto ainda.
[“DUNE REDUX – The “Spicediver” FanEdit”] é a versão a ver quanto antes.
E se leram o livro ainda irão gostar mais do que se só conhecem o filme.

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award pois está claro.
The spice must flow !

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A favor:
não é um make-over ligeiro mas uma remodelação de fundo, segue o guião original que Dino de Laurentis impediu David Lynch de montar, muitas cenas novas, muitas das cenas novas resultam plenamente, a nova estrutura da história segue o livro de forma mais coerente, a divisão do filme em três capítulos com citações do livro é super atmosférica, tudo o que gostavam no Dune original ficou ainda melhor de uma forma geral, a nova intro estranha-se mas depois entranha-se, qualquer cena extra com Patrick Stewart é sempre bem-vinda. É o melhor fan-edit de sempre sem margem para dúvida.
O filme trouxe-nos um verdadeiro novo universo nunca visto na altura, o seu design tornou-se tão marcante como o de Blade Runner, muitos dos efeitos especiais de maquetas ainda continuam sólidos e absolutamente mágicos, os sandworms são fantásticos e a perfeita representação do que está no livro, é uma boa adaptação de um livro complicado de ser adaptado, continua a ser um título hipnótico e fascinante, como space-opera continua o template onde muitas imitações já foram beber, é o perfeito elo de ligação entre um universo de ficção-científica a roçar a Fantasia Épica.

Contra: algumas cenas extra não resultam porque são incrivelmente mal representadas ou a qualidade de imagem não deu para ser totalmente recuperada, substituíram a voz do Navegador de especiarias na cena com o Imperador e está bem pior com um tom esquisito sem chama, removeram todos os diálogos internos com pensamentos dos personagens que tornavam a versão original tão especial e atmosférica !!!!
Se gostavam de ter isto em DVD , ou BLURAY legítimos com um tratamento legal e oficial realmente merecido, esqueçam.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
https://www.youtube.com/watch?v=MK5eoV93oyg

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LISTA DE NOVIDADES e ALTERAÇÕES (Tab CHANGES)
https://ifdb.fanedit.org/dune-the-alternative-edition-redux/

REVIEWS DO PÚBLICO (Tab REVIEWS)
https://ifdb.fanedit.org/dune-the-alternative-edition-redux/

FANEDIT.ORG
https://www.fanedit.org/

DOWNLOAD TORRENT ( funcional a 22-10-2016 )
https://1337x.unblockall.xyz/torrent/1124251/Dune-1984-Alternative-Edition-Redux-fanedit-AVI-XVID/

REVIEW ALTERNATIVA
http://www.samhawken.com/?p=11358

IMDB para o DUNE original de 1984 – Theatrical Cut de 137 minutos.
http://www.imdb.com/title/tt0087182

Comprar DUNE (Theatrical Cut original) em BLURAY edição USA – Região 0
desbloqueado.

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00371QQ0M/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00371QQ0M&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

ou numa outra edição em Bluray desta vez a edição Inglesa , Região B (2) – Europa

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B01BY1XJRO/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B01BY1XJRO&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

Comprar Dune (Theatrical Cut original) em DVD edição Inglesa, Região 2 – Europa

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00004D0BA/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00004D0BA&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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“NO MAN´S SKY” – (Playstation 4) – CRÍTICA:

PORQUE NO MAN´S SKY É O MELHOR JOGO QUE JOGUEI ATÉ HOJE
…e porque poderá ser perfeito para si também.

Para a maioria dos gamers e apreciadores de videogames foram 5 anos de espera e expectativa desde que Sean Murray e a Hello Games apresentaram pela primeira vez o conceito de No Man´s Sky ao mundo até que em Agosto de 2016, este fascinante e viciante ” jogo”  foi  finalmente lançado no mercado (PS4/PC);  para grande entusiasmo de muitos, mas inevitávelmente também bastante desprezo de tantos outros.


Desprezo esse que me ultrapassa de todo. Não percebo esta tendência de internet onde de repente torna-se moda atacar o que quer que seja, só porque soa muito cool ser do contra.Parece que escrever comentários negativos no youtube sobre um produto que nem sequer tiveram tempo de explorar em profundidade é aquilo que passa hoje em dia por rebeldia adolescente. Nada que me tenha surpreendido, pois desde há muito que esperava esta reacção quando o jogo fosse lançado. A internet está cada vez mais previsível.

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UMA QUESTÃO DE PERSPECTIVA

Para a maioria dos gamers da nova geração que nasceu num mundo já com internet, consolas e computadores (em casa !!),  podem ter sido cinco longos anos de espera; mas praticamente nenhuma dessas pessoas que hoje estão na casa dos 20 e poucos anos (inicios de 30) se dá conta, é que cinco anos de antecipação e espera não foram nada quando comparados com as várias décadas que muitos de nós tivemos de esperar para ver algo como “No Man´s Sky” tornar-se uma realidade.

Não foram 5 anos meus amigos.
Foram 35 anos de espera !

35 anos entre isto…


… e isto !

 

Há neste momento no mundo um nicho de jogadores (com mais de 40 anos) que aguardaram mais de três décadas por uma experiência assim em termos de jogo video.
Esta review é especialmente dedicada a essa faixa de público específica na qual eu me encontro hoje com 46 anos.
Jogadores que nasceram em 1970 ou a meio da década de 70.
Que eram putos com ideias e imaginação própria já formada quando os anos 80 surgiram de repente nas nossas vidas e trouxeram a revolução técnica que está na base da modernização dos videogames actuais.

Jogadores que exploravam os primórdios dos jogos em casa quando de repente o Pac Man, ou o Defender em 2D um dia começaram a tentar dar o salto para um tímido “3D” ainda um bocadinho … aldrabado.
Sim, porque mesmo nessa altura já haviam programadores a pensar nisso e a testar rotinas para superar as limitações dum ZX Spectrum 48K ou 128K se nos reportarmos aqui à europa onde esta máquina foi bem popular ; contrariamente ao que aconteceu nos EUA, mais dominados pelos Amstrad e Commodore.

O que quero fazer lembrar aos novos leitores que me leiem agora, é que há um nicho de jogadores que no início dos anos 80 estiveram “lá” quando a magia começou a ser real e a parecer-se com algo mais do que aquilo que só viamos descrito na ficção científica em livros, pois nem em cinema estas coisas apareciam ainda.
Quem saltou os anos 70 e  já nasceu em 1980 falhou esta época e perdeu por completo a oportunidade de se maravilhar com o aparecimento dos videogames e magia que trouxeram aos televisores, porque só se tornou adolescente a meio dos anos 90 quando tudo já tinha acabado. Isto porque nos anos 90 o mundo já era muito diferente.
A verdadeira época da magia terminou por volta de 1986/87 e quem não viveu essa altura jamais perceberá o que estou aqui a tentar dizer…
A partir do início dos anos 90 os computadores pessoais começaram a tornar-se algo cada vez mais real e comum, coisa que até então não passava de fantasia para praticamente toda a gente.

Um dia até apareceram umas coisas chamadas PC e tudo. Computadores que eram iguais àqueles “a sério” que apareciam nos escritórios às vezes mas que agora dava para ter em casa !! E não precisávamos de ser ricos para ter um, pois de repente até se podia comprar uma coisa dessas a prestações e tudo!
Comparativamente, era infinitivamente mais díficil para um pré adolescente colocar as mãos num ZX Spectrum por volta de 1984 do que alguém que tivesse a mesma idade dez anos mais tarde quando começaram a surgir os primeiros Pcs caseiros, muito mais comportáveis para as carteiras das famílias em termos comerciais.
Um ZX Spectrum 48K em 1984 era essencialmente um brinquedo para familias ricas ou para pais que fizesssem grandes sacríficios para poder oferecer aos filhos uma máquina esquisita daquelas. Por isso até surgiram na versão mais fraquinha de 16K, aquela que a minha mãe me pode comprar na altura a muito custo e que mesmo assim me permitia jogar a coisas como o Jet Pack ou o Death-Chase “3d”.

As novas gerações nunca farão ideia de como era difícil ter uma tecnologia daquelas em casa, trinta anos atrás numa altura em que a magia pagáva-se muito caro.
Quem já por cá andava na alvorada dos videogames antes de 1980;  quem com 7 anos de idade teve oportunidade de ver o Star Wars original no cinema quando estreou em 1977 em Portugal e especialmente, quem ficou estupefacto quando nos anos 70 brincou com uma coisa chamada PONG numa máquina estranha com um televisor a preto e branco, algures num café ou numa tasca onde se enfiavam moedas de 5 escudos;  e onde maravilha das maravilhas um gajo até conseguia controlar dois rectângulos brancos que batiam numa bolinha que se movia à nossa vontade, ( reproduzindo aquela sensação de magia que tinhamos visto em “A Guerra das Estrelas” no cinema na semana anterior ou podiamos ver todas as semanas no “Espaço 1999” na televisão; essas pessoas hoje com mais de 40 anos sabem que neste momento só há duas maneiras de se escreverem reviews sobre No Man´s Sky:


Ou se escreve e analisa o jogo em função daquilo que é hoje o mercado de videogames sendo essa a típica abordagem que se encontra tanto em quem o adora como em quem já o detesta.
Ou então se aprecia o que temos pela frente de uma perspectiva muito mais nostálgica; histórica até, com base em algum conhecimento que parece estar ausente nas próprias reviews profissionais que falam actualmente sobre os pros e os contras de NMS. Quanto a mim perante um produto como este com características tão particulares a segunda forma é a única que verdadeiramente poderá apreciar NMS pelo que ele traz.

No Man´s Sky é um jogo que apareceu tarde demais mesmo estando à frente do seu tempo. NMS é um jogo que pedia um público daqueles à antiga. Um público que estivesse mais interessado em disfrutar verdadeiramente do que o jogo propõe e se esforçou tanto para dar aos jogadores, em vez de estar agora a dissecarem-no como sendo apenas mais um produto daqueles que está na moda, mas que urge despachar e completar o mais rapidamente possível, pois para a semana vai sair outro jogo e ninguém tem tempo para perder com tanta oferta permanente para consumir.

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Ultrapassa-me esta tendência assustadora de que mal um jogo sai 90% dos jovens gamers parecem estar mais interessados em gastar o jogo todo de uma vez, tentando completá-lo o mais rapidamente possivel ( e passar à “vítima” seguinte ) do que realmente parar para apreciar a criatividade artística e a profundidade que um trabalho como este se esforça tanto por apresentar a um público que não o merece. Um público tão viciado em -hypes- e adrenalina consumista de gratificação instântanea que nem sequer já tem capacidade cognitiva para se aperceber das mais valias de um jogo assim. Porque isso requere tempo para parar um bocado e simplesmente contemplar o que está na frente..
Parece que anda tudo em modo multi-tasking tentando jogar a tudo ao mesmo tempo, o mais rápidamente possível. O que importa num jogo já não é jogá-lo a fundo durante meses disfrutando do seu sentido de aventura e descoberta, mas explorá-lo rápidamente durante dias.

99.99.999999% das reviews que encontrarão sobre NMS nos media são fruto de uma crítica especializada (ou não) escrita por uma geração que quando nasceu começavam a aparecer todas as coisas que definem hoje o nosso mundo na sua vertente moderna.
Tal como niguém com menos de 26 anos conseguirá conceber como seria um mundo onde não existiam telemóveis ou internet ( onde “ninguém” tinha amizades estrangeiras do outro lado do mundo e quando muito coheciamos uns tipos na cidade ao lado ); também esta geração nunca teve a oportunidade de experiênciar a magia e a inovação que foram os primeiros video jogos em “3D” quando estes começaram timidamente a surgir por volta de 1984/85.

A maioria tentando funcionar muitas vezes em pouco mais que apenas 48K de RAM, naqueles que seriam os primeiros computadores com a capacidade de reproduzir jogos que surgiram no mercado e nas nossas casas por volta de 1984.
Com um “3D” inicialmente totalmente baseado em linhas geométricas de “arame” sem qualquer aspecto “sólido” evoluindo um pouco mais tarde para uma versão primitiva de “cell shadding”; mesmo assim, de repente um dia os jogos deixaram todos de ter que se parecer com um Manic Miner, um Chuckie Egg ou um Jet Set Willy (ZX Spectrum) e podiam passar agora ser algo mais que apenas a típica aventura de plataformas com um boneco aos saltos.
Agora o “3D” agora poderia ser usado para se criarem MUNDOS !!!

 


Um verdadeiro acto de magia totalmente incompreensível para quem na altura em 1984/85 tinha, 12,13,14 anos e que de repente graças a um ZX Sinclair Spectrum na Europa ou a um Amstrad/Commodore nos EUA deixou um dia de precisar deslocar-se até uma casa de máquinas arcade para sentir a adrenalina dessa magia virtual. Isto porque apareceram à venda nas lojas (de electrodomésticos) umas máquinas com botões e cassetes que sabe-se lá como, com um gravador carregavam jogos quase tão giros como aqueles que existiam “nas casas de máquinas”/Arcades da nossa esquina; (locais de reputação duvidosa sempre envoltos em fumo e ambientes escuros não aconselháveis a menores.

Os videogames em casas Arcade estavam proibidos a menores de 18 anos em Portugal nessa época e toda a gente que teve 12 anos no inicio dos anos 80 foi certamente expulso de inúmeros estabelecimentos por ser menor.
Aliás era praticamente um desporto da pré-adolescência, tentarmos entrar numa “casa de jogos” e conseguir colocar a nossa moeda na máquina do Pac Man ou do Xevious sem sermos expulsos do local mal fossemos localizados pelos empregados, que qual robots sentinelas do No Man´s Sky estavam sempre à caça de jogadores que tentavam por todos os meios jogar a coisas que segundo a Lei portuguesa não eram para a sua idade, em locais onde uma criança de 12  estava proíbida sequer de passar da porta ).

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NO MAN´S SKY – ELITE REENCARNADO

No Man´s Sky é a prova de que a reencarnação existe.
NMS é o ELITE que toda a gente sempre quis ter quando jogava à sua versão de 48K no ZX Spectrum durante horas a fio em 1984 mas nunca julgou vir a ser possível técnicamente durante a nossa própria permanência neste mundo.

As novas gerações de gamers nunca irão entender isto mas , NMS é a representação visual exacta daquilo que todos nós há 30 anos,  já “viamos” na nossa imaginação quando viajávamos pelo espaço contemplando durante horas a fio o mesmo écran preto com dezenas de pixels brancos arremessados na nossa direcção (fingindo serem estrelas).
Pelo meio tentávamos “disparar” umas linhas brancas contra umas “naves” em triângulo “3D (transparente)” sempre que não estávamos a estampar-nos contra um hexágono rotativo também composto de linhas brancas com um rectângulo no meio que fazia de “porta do hangar”;  o mesmo “hangar”  que causava constantes fúrias nos jogadores pois “aterrar” numa estação era praticamente impossível sem nos estamparmos e perdermos toda a carga.

Aterrar no Elite era tão bom e gratificante que ficavamos todos contentes quando o conseguia-mos e o computador nos mostrava um entusiasmante ecran preto cheio de letras a dizer que tinhamos entrado na estação com sucesso.
As estações espaciais dos nossos universos eram lindos ecrans pretos cheios de texto que nos dizia o que “estavamos a ver”.

Esqueçam os cenários.Querem gráficos ? Imaginem os vossos.

Por iso agora, acho particularmente hilariante as opiniões negativas em reviews do NMS pela internet fora e em particular no Youtube, referirem sempre que falta alguma variedade em termos visuais no ambiente dos planetas gerados aleatóriamente pelo jogo.

Ao menos em NMS podemos mesmo caminhar por mundos “reais”, temos estações espaciais em que podemos mesmo “entrar”, temos sistemas solares com planetas que são mais do que um circulo branco com um nome num fundo preto e temos extraterrestres que conseguimos ver.
Há 35 anos atrás, em ELITE tínhamos écrans pretos com pontos e linhas brancas e écrans pretos e vermelhos com toneladas de informação escrita sobre o que podíamos vender ou comprar em cada estação espacial e viajávamos “pelo espaço” durante horas e dias por écrans pretos de estação espacial para estação espacial (sempre igual) entre algumas dezenas de hexagonos que “orbitavam” planetas e pronto.

Mais nada.
E era um jogo do caraças ! Ultra viciante !!

Talvez porque ELITE ainda contava com uma geração de jogadores que precisava mesmo ter imaginação própria quando jogava a qualquer título.
Aliás, parte do fascínio dos primeiros tempos pelos videojogos tinha a ver com o facto de que 99% das vezes os jogos pareciam-nos mais espectaculares do que na realidade eram !
Isto porque a nossa própria imaginação era sempre chamada a tapar todos os buracos visuais que a técnologia primitiva não tinha capacidade de esconder.

A nossa própria imaginação pessoal tinha o condão de tornar o videogame mais limitado no melhor universo virtual do… universo !

Apenas porque aquilo que imaginávamos ao jogar era mesmo criação pessoal nossa; era o nosso cérebro a fazer já -“procedural generation”- dando-nos imagens únicas que mais ninguém podia ver,  numa altura em que algo assim em termos técnologicos para um videogame estaria a anos luz de distância e a própria ciência garantia que nem nos próximos 100 anos a coisa poderia evoluir a tal ponto. Por isso todos nós estavamos intimamente ligados à nossa imaginação pois dependiamos dela para as nossas próprias brincadeiras. Até mesmo as “informáticas”.
Tudo numa época onde a referência visual mais próxima que podíamos ter para imaginar o que quer que fosse seria talvez a nossa colecção de BD ( banda-desenhada de verdade e verdadeiramente variada; bem antes dos comics de super heróis americanos inundarem Portugal e terem tornado tudo formulático para a geração seguinte que  já cresceu a pensar que -comics- são o mesmo que banda-desenhada), o que serão o expoente máximo da imaginação.
Por isso, quando jogavamos a um jogo espacial como ELITE, um circulo branco num fundo preto era para nós um planeta com um visual tão espectacular como aquele que tinhamos visto no Star Wars meses atrás no cinema (sim porque não havia cá cinema em casa..era a pré-história meus amigos). A nossa imaginação encarregava-se de nos dar mundos virtuais e provavelmente hoje continuam a ser os melhores que alguma vez vi.

Portanto eu quando leio ou vejo agora um video em que alguém diz que NMS podia ter mais variedade visual não sei se aquilo é para rir ou para chorar.
E posto isto vamos à minha opinião concreta e detalhada sobre No Man´s Sky.

“NO MAN´S SKY “

A MINHA OPINIÃO PESSOAL sobre a versão PS4

A minha primeira impressão  foi a pior possível.
Tive azar de começar aleatoriamente num mundo que me parecia sem grande interesse e andei perdido durante uma meia hora no fundo de ravinas todas iguais, no meio das piores paisagens que curiosamente até agora encontrei em NMS.
Ainda por cima os primeiros gráficos que contemplei pareciam saídos de um jogo mediano da PS2 de há quinze anos atrás; o terreno era desinteressante, as texturas simples, os animais pareciam não se integrar no tipo de ambiente, a animação era primitiva, encalhava nas rochas mais proeminentes, etc, etc, etc.
Ah e depois o jogo crashou…
Estive sinceramente a pensar desistir mesmo muito decepcionado.
Ainda por cima até perceber a mecânica dos menus de criação de objectos andei por ali em modo de total aborrecimento pois detesto jogos com -crafting- em demasia e estava quase a desligar a consola para nunca mais voltar a olhar para este produto.
Muita gente tem apontado que a principal grande falha de NMS é a de que não tem um tutorial padrão que nos faça perceber que o jogo está apenas a começar.Isto faz com que muitas das reviews negativas que andam por aí sejam essencialmente baseadas numa primeira impressão tão negativa quanto a que eu tive inicialmente.

 Se NMS dá um tiro no pé, é porque realmente precisa que um jogador invista pelo menos umas cinco ou seis horas nele, até perceber qual a sua verdadeira natureza e qual o seu verdadeiro valor. Isto numa altura em que todos os jovens gamers querem é uma recompesação sensorial imediata é um risco tremendo para uma companhia como a Hello Games. Por outro lado ainda bem que tiveram a coragem de deixar o jogo assim. Filtra imediatamente as pessoas que percebem a intenção por detrás da aventura daquelas que se calhar estarão melhor a jogar ao Assassins Creed.

É realmente verdade que por causa da sua natureza aleatória na forma como gera cada etapa, NMS corre muitas vezes o risco de apresentar umas primeiras horas aborrecidas como o raio para muita gente caso tenham o azar de começar numa zona sem qualquer interesse como eu comecei.

Por isso mesmo muita review por aí diz que o jogo é uma seca, ou pior um plágio do Minecraft no espaço quando este é bem mais do que isso.
O problema é que o verdadeiro NMS só se revela ao jogador muitas horas depois de termos começado a jogar. Arriscaria dizer que antes de passarem pelo menos 10 horas a jogá-lo não vão captar a sua originalidade e a sua verdadeira essência.
A explorar verdadeiramente cada planeta percorrendo o solo e não apenas o céu ou tentando saltar de sistema solar em sistema. NMS não é um jogo para ser jogado assim.

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Ora isto num mundo cheio de jovens gamers que esperam ter adrenalina aos quilos a partir do segundo zero num videogame, uma adaptação a um gameplay totalmente descontraído é uma experiência que os desconcerta por completo e que muitos nem admitem dar quaquer hipótese.

 Daí a quantidade de reviews negativas, que sem qualquer fundamento acusam NMS de ser uma experiência vazia e repetitiva quando este é muito , muito mais do que isso. O problema é que NMS é um jogo que requer paciência e num mundo cheio de jogadores que não têm pachorra para perder umas horas se estas não lhes trouxerem estimulos de adrenalina imediatos, uma experiência como esta está irremediávelmente condenada a ter que sofrer com as piores reviews bem antes do jogo ter sido devidamente explorado.

Há gente que parece não conseguir encaixar no cérebro que o objectivo do jogo não é o de chegar rapidamente ao centro da galáxia, mas sim o de EXPLORAR cada mundo e divertir-se apenas pelo sentimento de descoberta que proporciona a quem é capaz de parar um bocado.

Contribuindo para essa frustração inicial com o ritmo do jogo, é realmente verdade que NMS em termos de tutorial não nos dá grande ajuda.
Atira-nos para este universo sem grande informação e pronto, estamos por nossa conta até mesmo para aprender a jogar.
O que para jogadores como eu, que não tenho qualquer fascínio por jogos de estratégia pura (baseada em menus de troca de items) fez logo com que eu também ficasse de pé atrás quando instalei este universo pela primeira vez na minha PS4 à hora zero do dia de lançamento oficial.
Quer dizer… que raio ! Eu tinha comprado NMS para explorar planetas e no entanto atiram-me logo de inicio com pelo menos umas horas de gameplay inicial baseadas apenas em -crafting-, manipulação de menus e ecrans estáticos ?! Isto era um jogo de exploração ou uma simulação do Windows ?

Mas … como tinha comprado o jogo, lá me forcei a continuar por mais um bocado.
Surpreendentemente, passado algum tempo dou por mim a funcionar com a mecânica dos menus de forma muito natural sem o ter notado e melhor ainda, dou por mim no alto de uma montanha ao por do sol.
Fiquei rendido automaticamente a NMS.

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Por detrás do vale realmente foleiro e totalmente desinteresaste estava uma paisagem épica absolutamente de cortar a respiração.
A partir desse segundo já não havia como desistir. Fiquei viciado.
Tinha mesmo que saber o que estava por detrás da próxima montanha e da próxima e da próxima.

No processo fui descobrindo segredos, apanhando material e quando dei por mim já tinha tudo pronto para sair do planeta e viajar pela primeira vez para o espaço.
Mesmo assim ainda continuei no primeiro mundo por mais algum tempo pois a esta altura estava já completamente rendido a este jogo e aquela fórmula tão simples.
Da primeira vez que joguei era para ter explorado isto por alguns minutos e sem saber como acabei por jogar mais de 5 horas seguidas madrugada dentro.
Há décadas que não havia um jogo que me tivesse feito algo assim. Nem dei pelo tempo passar. Mesmo com as suas pequenas condicionantes técnicas…e supostas “falhas” tão arrassadas actualmente em certas reviews.

Sim é verdade, as reviews negativas têm razão, o frame-rate ás vezes fica fraquinho pois 30 frames por segundo para algum detalhe elevado em certos mundos faz com que o jogo por momentos pareça mais lento na forma como a camera se move.
Sim, idealmente isto merecia era ter sido a 60 frames  e sim, se compararmos com os mais recentes jogos de topo com animação ultra realística, NMS pode perder na comparação, especialmente no que toca à animação de criaturas, etc, etc, etc.
Têm toda a razão sim senhor.
Até o campo de visão devia ter sido maior pois o jogo pode provocar realmente grandes tonturas.
E sim, é verdade, muito do cenário por vezes pode aparecer de repente em estilo Pop-Up a fazer lembrar o que acontecia quando surgiu a N64 há duas décadas atrás.
E isso importa ?
NÃO.

Como está, nada nas suas limitações técnicas impede que a experiência de jogar a NMS seja algo menor. Muito pelo contrário.
Nem pensamos nas limitações técnicas do jogo quando estamos maravilhados a explorar uma geografia extraordinária num planeta alienígena qualquer.
Defeitos técnicos ? Podia estar melhor…

Hum ?!…

Sinceramente estou-me perfeitamente a borrifar para esses aspectos.
Podia ser melhor tecnicamente ?

Se calhar podia… do I care ? NO !

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Se calhar se NMS tivesse sido um jogo feito por uma super empresa com os habituais 600 empregados que tipicamente compõem as equipas de produção dos grandes blockbusters videogame da actualidade seria tecnicamente melhor.

Não me importo minimamente com isso. Aprecio simplesmente NMS pelo que é e não pelo que deveria ter sido.
Meus amigos, ainda por cima NMS foi criado por uma equipa de 13 pessoas !!

Criaram um universo inteiro de uma forma que nunca foi apresentada ao público e ainda há gente que não fica surpreendida com algo assim ? Na era da internet parece que todos os gamers agora são especialistas informáticos, “treinadores de bancada” em versão gamer incapazes de dar valor a um trabalho destes e isso é absolutamente desconcertante.
A pequena equipa de Sean Murray criou um universo que funciona particularmente bem, mesmo tendo em conta alguns crashes que costumam ainda ocorrer na versão de lançamento PS4 ( mas que não nos fazem perder nada de especial do que já juntamos com o nosso gameplay).
Por isso eu por mim não tenho problema nenhum em perdoar qualquer limitação ou defeito técnico quando o que NMS me dá é um universo inteiro por explorar livremente. Especialmente um universo onde nunca sabemos o que iremos ver a seguir. Jogar a isto, aterrar num planeta novo, traz-me à memória a mesma sensação que tinha em criança quando todas as semanas as naves do Espaço 1999 aterravam num planeta alienígena novo. Não eram as histórias que me fascinavam, eram os mundos novos a cada aterragem. Com NMS passa-se exactamente o mesmo e para mim é esse o seu grande trunfo e fascínio.

Até agora nenhum suposto aspecto técnico horrivelmente negativo teve qualquer influência no prazer que me tem dado jogar ao jogo e como tal sinceramente quero lá saber das limitações técnicas. Nem entram no meu pensamento quando estou a percorrer “a pé” paisagens como a de baixo onde tudo o que podem ver na imagem pode ser alcançado se caminharem até lá. Tal como numa caminhada real. Tudo neste jogo, existe. Se está no ecran , pode ser acedido e explorado.

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Outra coisa que parece provocar grande angustia na comunidade de gamers da geração mais nova é o “problema” da falta de interactividade com outros jogadores.

Pessoalmente estou-me borrifando para o multiplayer !

NÃO TEM MULTIPLAYER ?! ÓPTIMO !!

O mundo actualmente parece só ter jogos multiplayer, anda tudo ligado “socialmente” através de jogos e para mim o facto de NMS ser essencialmente uma experiência solitária é a sua grande mais valia.
O jogador sente-se mesmo como um descobridor totalmente isolado do resto, o que contribui imenso para o sentido de aventura. Por muitos momentos sinto-me como um daqueles astronautas do cinema de FC dos anos 50 que costumavam despenhar-se sempre sózinhos em mundos alienígenas.

Eu detestaria estar a jogar a isto em parceria com outra pessoa, pois estou farto até aos cabelos de multiplayer e de mmorpgs.
Em principio haverá planos fa Hello Games para incluírem algo que torne a experiência mais interactiva em futuros updates mas para mim pouco importa que o façam ou não.

Eu se alguma vez encontrar um gajo no meio do jogo, dou-lhe um tiro e vendo os seus orgãos no mercado negro galácrico; mesmo que NMS venha a permitir multiplayer tradicional duvido que eu venha alguma vez a seguir essa vertente. Poderei testar para ver como funciona, mas dúvido que o faça por sistema. Se há uma coisa que me fartou por completo dos Mmorpgs era aquela necessidade constante de ter que “socializar” com outros jogadores virtuais para conseguir avançar na aventura e poder explorar novos cenários. A última coisa que eu quero é que NMS se comece a parecer com o típico Mmorpg. Por isso multiplayer para mim dispenso.
Mesmo que fosse para o testar, nunca antes de completar o jogo sózinho pelo menos uma vez.
Felizmente que uma das grandes mais valias em NMS é precisamente a liberdade de escolha no tipo de caminho que seguimos e portanto espero que  a vertente multiplayer se aparecer continue a dar essa liberdade de escolha.
Portanto multiplayer ou não, para mim é algo que nem sequer devia poder contar actualmente para se fazerem  análises justas a este titulo, pois os seus criadores desde o início que disseram que a intenção seria a de criar um universo inteiro para uma clássica experiência single-player.

Quanto a mim conseguiram-no perfeitamente e eu não podia estar mais satisfeito com o que este jogo nos dá.

Entre as reviews negativas nota-se que outros tantos parecem estar decepcionados com o gameplay pois á primeira vista é por demais semelhante ao do Minecraft, embora para já sem a capacidade de construirmos coisas; (em breve irá dar para fazer isso também).
Sinceramente para mim não há gameplay mais viciante do que uma mecânica de jogo simples.

Jogos como um TETRIS agarram-nos durante horas e não precisam de muito para o fazer.

Se há algo que eu detesto nos modernos videogames hoje em dia é que todos parecem estar interessados em parecer-se mais com um blockbuster de acção made in Hollywood do que nos dar uma jogabilidade baseada em algo simples ao velho estilo pegar e largar sem precisarmos de perder horas a jogar a um titulo até conseguirmos gravar o precurso por exemplo.
Pessoalmente considero que NMS mesmo sem uma história linear tem muito mais interesse em termos de “argumento” que qualquer um dos supostos títulos de ponta, muito mais vazios mas que cinematicamente enganam o olho.

NMS não tem um pingo de originalidade, é essencialmente um ELITE cruzado com o MINECRAFT em ambiente INTERSTELLAR (o filme) e pronto.
Não precisa ser mais nada.
Não vejo porque isto é um problema. Quem não gostar do estilo, o que não faltam por aí são jogos baseados em historia, missões e acção para optarem por eles.

Agora não me venham dizer que NMS não funciona por ser simples , porque funciona.
E bem !

Ainda por cima é um daqueles jogos que tanto podemos jogar cinco minutos como cinco horas e isso está a ser cada vez mais raro hoje em dia.

Os combates são básicos porque o jogo não pede mais do que isso e portanto para mim o estilo arcade está óptimo. É um excelente complemento para a vertente de exploração e contemplação que podemos seguir caso queiramos escolher ser exploradores em vez de mercenários ou comerciantes.

NMS pode ser um jogo arcade de acção se quisermos ser piratas, pode ser um jogo de estratégia comercial se seguirmos a vertente de trader ou pode ser uma experiência quase em estado Zen se optarmos apenas por explorarmos o universo e ir catalogando descobertas à medida que vamos avançando planeta a planeta até eventualmente chegarmos ao centro da galáxia como supostamente é o objectivo de NMS. É um universo aberto onde podemos fazer o que quisermos e jogar ao nosso próprio ritmo sempre com coisas para descobrir constantemente.

O que me leva a outra coisa que eu acho absolutamente inclassificável em muitas das reviews negativas actualmente pelo youtube.
O jogo saiu há menos de uma semana, tem biliões de planetas por explorar mas o universo parece estar cheio de gamers mais interessados em saltar o mais rápido possivel de planeta em planeta para completar a parte central do jogo do que em disfrutá-lo naquilo para que foi criado; a exploração !

Depois vêm dizer que o jogo crasha porque saltaram dez sistemas solares seguidos e aquilo rebentou !

Se calhar é porque os próprios criadores do jogo pensavam que as pessoas queriam mesmo jogá-lo e não avançarem etapa a etapa o mais rápido possível sem sequer olharem para o que lá está, não ?!
O facto do gameplay permitir uma total liberdade até na escolha das etapas que podemos jogar, não quer dizer que o objectivo seja saltar todas elas e apenas andar a tentar percorrer o mapa galáctico o mais rápido possível com saltos de hyperdrive para chegar ao centro da galáxia antes de toda a gente e ver “o final” !

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SE O JOGO “não presta”, A CULPA É VOSSA.
Apesar dos jogos em estilo “open world” estarem actualmente na moda, em termos técnicos nunca deve ter existido um jogo com um mundo artificial tão imenso e verdadeiramente aberto até hoje.
O universo em NMS é realmente infinito, podemos visitar tudo o que quisermos, tudo o que está no ecran pode ser “fisicamente” alcançado e não existem barreiras de qualquer espécie que nos impeçam de ir verificar “pessoalmente” qualquer detalhe que encontremos numa paisagem planetária ou em qualquer ponto do universo visivel.

O “problema” é que esta mecânica de jogo, dá tanta liberdade ao jogador, que inclusivamente lhe permite apreciar a mecânica do gameplay da forma que quiser. E isto tem causado muita confusão na cabeça daqueles jogadores que sem terem um jogo baseado em missões já não sabem o que fazer com ele. São estes principalmente os jogadores que acusam NMS de ser um produto vazio.

É apenas “vazio” porque essas pessoas não sabem o que fazer com ele e nunca conseguirão aproveitar as suas potencialidades.
NMS não tem gameplay ?! NMS não tem nada para fazer ?…
A sério ?!!

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É incrível como tanta review negativa aponta o facto de terem completado o jogo num instante e terem ficado muito desapontados com o que viram no fim.
O jogo é aquilo que fazemos dele. O jogo revela-se bom ou mau na forma como utilizamos a sua mecânica de espaço aberto. Se não sabem o que fazer num universo tão detalhado e cheio como este, a culpa não é dos criadores do jogo. Eles deram-lhes um universo para explorar, não é um universo para completar.
O prazer de NMS está na viagem e não no destino.

Será que alguém se esqueceu que NMS não tem um final mas múltiplos finais e segundo a Hello Games estes variam em conteúdo dependendo daquilo que cada jogador faz e acumula em termos de experiência durante a exploração de cada mundo ?!
É que é precisamente a exploração aquilo que irá determinar o tipo de experiência final de cada jogador !
Haver já reviews negativas tendo por base o argumento de que o final do jogo não tem piada só demonstra que quem fez essas reviews, teve tanta pressa em “completar” NMS que depois na verdade não o jogou como deveria ter sido jogado.

NMS é um jogo de exploração. Exploração a pé, principalmente. Não é um jogo para saltarmos em hyperespaço de estrela em estrela sem explorarmos o que existe em cada sistema ! Aposto que nem a Hello Games alguma vez pensou que houvessem gamers tão desejosos de esgotar a experiência que preferissem dar cabo de toda a filosofia do gameplay em vez de a apreciarem.
Por outro lado tendo em conta o perfil típico do jovem gamer que encontramos em modo troll pelo youtube … se calhar seria pedir demais que houvesse tanta gente com a capacidade de disfrutar de um jogo tão brilhante quanto este da forma para a qual foi criado.

Muita gente parece pensar que basta sobrevoar os mundos e encontra tudo o que escondem e tudo o que conta para os levar até aquele final que desejam ver.

Não basta.

Se acham que NMS é um jogo vazio, então joguem-no e explorem verdadeiramente o que está por descobrir em cada mundo. Se NMS é um vazio então é sinal absolutamente evidente de que não o estão a  jogar.

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EXPLOREM A PÉ !

O jogador em NMS tem mesmo que explorar, principalmente a pé.

Façam isso, absorvam toda a sua mitologia ( textos misteriosos, ruínas arqueológicas inesperadas e um par de … “anomalias” que vale a pena descobrir e chegarão ao fim do dia tendo percebido como são ridiculas e irrealisticas todas as reviews negativas que actualmente cascam forte e feio em NMS.

Isto porque tanta gente saltou de sistema solar em sistema solar tão rapidamente que depois ficaram desapontados com o que lhes apareceu como final.
Duh !!

É na vertente Explorador que para mim NMS brilha como nunca vi nenhum jogo brilhar.
Sim é verdade, há muitos jogos com paisagens mais realísticas, gráficos de melhor resolução, etc. Não me interessa.
O facto disto contar com a tão badalada tecnologia da “Procedural Generation” torna-o verdadeiramente um jogo de sonho para toda a gente que um dia sonhou ter um ELITE em que pudesse realmente viajar por um universo “a sério”.
Para a geração dos 40 anos que sempre quis experienciar algo assim, desde já digo que vale totalmente a pena comprar uma PS4 apenas para jogar a No Man´s Sky.
Eu próprio tinha deixado os videogames de parte há anos, practicamente não conseguia estar mais do que uns dez minutos em frente a um jogo actualmente e no entanto estou completamente rendido a NMS.
Nunca em 35 anos de jogos video houve até hoje um produto que me tenha agarrado 4 horas por noite desde a hora zero do seu lançamento.

Quanto mais não seja pelo que consegue pelo seu lado técnico. Pena tenho eu de na altura em que estava no liceu não ter tido um professor que me dissesse que a matemática servia para criarmos universos destes !

 É incrível mas ainda há gente que não percebeu que nada neste jogo existe pré-concebido para além do design dos elementos base que compõem cada item.
Todo o jogo e tudo o que aparece é gerado matemáticamente de forma espontânea para cada jogador quando chegamos a um local.
Isto permite que NMS possa realmente gerar um universo inteiro pois as coisas só aparecem quando as alcançamos e portanto nada está guardado gráficamente em qualquer base de dados num mapa de jogo à espera que cheguemos a essa parte do jogo.
NMS tem biliões de planetas e sistemas solares.

Uma coisa assim nunca poderia ser criada à unha por quem criou este verdadeiro simulador espacial de escala épica.
Os próprios criadores do jogo não fazem a mínima ideia do que irão ver quando jogam ao  jogo que construiram.
Não fazem ideia de como serão os planetas, que variações irão encontrar em termos de aliens, como são os sistemas solares ou sequer onde ficam.
É como se Deus, tivesse criado uma fórmula matemática que gerou um universo e Ele próprio não fizesse ideia de que os seres humanos existem pois ainda “não encontrou” o nosso mundo.

Se a própria existência de NMS não coloca imediatamente questões filosóficas bastante interessantes não sei o que o fará.

UM UNIVERSO INTEIRO.

NMS é uma recriação virtual de um universo em tamanho real e inclusivamente é nas cenas espaciais que a maioria das vezes nos deixa absolutamente estupefactos com a beleza das imagens.

A primeira vez que descolamos de um planeta deixa-nos estupefactos.
Todas as cenas no espaço são absolutamente lindíssimas e parecem saídas do melhor do cinema de animação de Ficção-Científica.
As viagens pelos buracos negros podiam ter saido de filmes como Interstelllar ou 2001 a Space Odissey.
O estilo algo cartoon do jogo também ajuda a criar uma identidade gráfica particularmente cativante, pois pessoalmente prefiro um visual assim ao habitual estilo modernaço em que tudo parece saído de um filme de porrada ultra high-tech em modo ultra deprimente.

Como está NMS para mim, visualmente está perfeito.

Já andam por aí opiniões decepcionadas porque os planetas têm todos uma base/template geográfica semelhante e por isso a variedade de mundo para mundo não parece tão vasta quanto a que tinha sido prometida…
O que eu acho uma parvoíce.
Em Marte também há montanhas e vales iguais ao que temos na Terra; apenas por cá temos mais detalhes nos terrenos.
Se a Lua tivesse árvores se calhar também se pareceria com algo diferente mesmo tendo montanhas e vales que poderiam ser terrestres não fosse o ambiente em que estão.
Por isso desvalorizar NMS porque supostamente deveria ter “mais variedade” nos mundos quanto a mim é algo que me ultrapassa.
Especialmente num universo com uma escala destas.
Aposto que no nosso próprio universo real, o que não devem faltar são planetas esteticamente iguais ao nosso planeta Terra. Apenas terão estatisticamente alguns pormenores diferentes eventualmente.
E é nisto também que NMS assenta em termos de criação de mundos no que toca a uma fórmula para produzir variedade.

NMS tem variedade quanto baste e pelo que tenho explorado pelo menos 90% dos mundos que encontrei foram absolutamente únicos, especialmente aqueles onde há mesmo muita vida. Esses são verdadeiramente extraordinários.
Estou plenamente satisfeito com a variedade que tenho encontrado nas paisagens até agora.Aliás, basta fazerem uma ronda pelos milhares de écrans que já existem espalhados pela net com os planetas que as pessoas têm descoberto e se aquilo não é variedade de ambientes em mundos alienígenas com características e variações extraordinárias então não sei do que as pessoas estavam á espera.
O jogo apresenta um estilo visual fechado e constante mas também a natureza tem o seu estilo visual que depende de factores que depois aplica em termos de variações, precisamente como está na base destes jogo.

NMS apenas tem um bilião de variáveis a menos na forma como “a sua mãe-natureza” detalha cada mundo na altura em que o gera a partir de fórmulas matemáticas que definem e física por detrás do universo.
Por isso de forma a manter o jogo estável, muitos dos elementos gráficos base inerentes à própria mecânica do jogo, precisam mesmo de ser semelhantes.
O que não quer dizer que não encontremos mundos absolutamente extraordinários e incrivelmente variados !!!

APENAS UM DETALHE…

Pessoalmente em termos de variedade só acho que há uma coisa que deviam mesmo melhorar. NMS tem muita falta de edifícios e bases com um design diferente.
O mesmo tipo de design aparece sempre em todos os tipos de planetas e por causa disso se calhar muita gente fica com a sensação de que os mundos parecem todos iguais.

Também acho que quebra muito aquela magia de um mundo alienígena quando de repente encontramos por lá outra base planetária exactamente igual ao que já vimos nos últimos vinte planetas que exploramos anteriormente

NMS precisa urgentemente de arquitectura diferente tanto no exterior dos edificios como para o interior. Se NMS parece visualmente repetitivo é apenas naqueles momentos em que entramos outra vez “na mesma” base espacial, “vezes e vezes sem conta”; não importa em que planeta estejamos.

Isto é realmente talvez a única coisa que me decepcionou até agora pois faz com que os mundos pareçam mais semelhantes do que na realidade são.
O que vale é que pelo menos em termos de ruinas alienígenas até ao momento todas têm sido diferentes, bem misteriosas e atmosféricas.
A Hello Games só precisa agora de dar este tipo de variedade simples às bases planetárias e espaciais. Façam isso  e NMS parecerá logo imediatamente menos repetitivo aos olhos do jogador causal.
Ah, e já agora… que tal também permitirem cascatas de água nos cenários ? Seria fabuloso encontrar algo assim naqueles cenários épicos também !
E também aumentarem as raças alienígenas inteligentes. Quatro raças e culturas num universo tão grande vai parecer muito pouco a longo prazo. A não ser que haja algo escondido na manga.
De qualquer forma este pequeno detalhe não significa que eu esteja desapontado com a variedade de cenários. Muito, muito pelo contrário.

MUNDOS POR DESCOBRIR.

Tenho encontrado coisas fabulosas. Mais uma vez repito…EXPLOREM os planetas a pé.

A sobrevoá-los não irão ter a noção que que lá está em termos de segredos por descobrir. E os planetas são para explorar durante horas; não minutos.
Se isso faz com que levem um ano a completar NMS em vez de o completar numa semana, óptimo; só significa que estarão a jogá-lo da forma para a qual foi pensado.
O que os jogadores das novas gerações não percebem é que NMS é um universo para ser explorado, não é um jogo para ser completado … ou jogado … no sentido tradicional , porque completar o jogo não é o objectivo e muito menos é aquilo que nos dá prazer. NMS é um jogo para quem gosta de caminhar na vida real, para quem o sentido de explorar é mais importante do que a recompensa de completar uma missão igual a tantas outras em tantos outros jogos.

Eu já passei mais de 10 horas a caminhar num único planeta sem fazer absolutamente NADA para avançar no jogo. Apenas caminhar pelos mundos, explorar, descobrir segredos e espécies alienigenas e tirar “fotos” das incríveis paisagens.
É esse o grande atractivo de um game engine como o que NMS proporciona. É um jogo que recompensa quem dedica tempo a cada mundo e quem adora saber o que estará por detrás “daquela colina” e da próxima… e da próxima e da seguinte…

Houve um maluco que parece ter passado 30 horas apenas no planeta do inicio ! Um tipo que captou plenamente o espírito deste jogo. NMS é esse tipo de experiência. Permite-nos divertir-nos a explorar apenas um unico mundo se assim o quisermos. Por isso quando certas reviews negativas dizem que não há nada de interessante para fazer no jogo, eu só posso me surpreender com tal afirmação.
Muito certamente será o mesmo tipo de público que acha que o cinema só presta se for um blockbuster da moda cheio de porrada, made in hollywood que estiver na moda.

TIP: Não tenham medo de largar a vossa nave e caminhar km em qualquer direcção. Não precisam de voltar para trás depois.
Há sempre uma base por perto onde poderão depois chamar a vossa nave automáticamente que voará até ao local onde estão.
Usem o vosso scanner enquanto caminham ou procurem um farol que lhes indique em que direcção estão cada um desses locais.

Tanto os “shelters” como as colónias maiores que costumam ter pistas de aterragens têm sempre um controlo que permite chamar a vossa nave.
Isto não é algo fácil logo no início, pois precisam fazer -crafting- de alguns objectos que dão acesso à tecnologia que mostra estas coordenadas, mas umas cinco horas depois de começarem a jogar já terão encontrado muito daquilo que precisam para se orientar nesta parte do gameplay.
Essencialmente não se restrinjam a explorar os mundos ficando apenas ao redor da vossa nave. Partam para o planeta e distânciem-se à vontade. Há sempre um local algures onde podem apanhar a nave novamente.

Toda a gente que o está a jogar disfrutando do que tem realmente para oferecer ainda está na fase inicial do jogo.

Num universo de biliões de planetas ainda há muito para descobrir e os próprios criadores do jogo disseram que a variedade e as coisas estranhas iriam aumentar à medida que estivéssemos pertos do centro da galáxia pois nunca se coloca o melhor nas primeiras etapas e alguns dos videos já mostram essa variedade incrível que poderemos vir a encontrar também. Por isso as reviews que reclamam da variedade visual dos planetas nesta fase não têm qualquer sentido.
Ainda não encontrei nenhum planeta com anéis mas segundo Sean Murray eles irão aparecer a partir de certa altura.
Já encontrei uma das novas luas que vieram com o novo patch por exemplo.

Com excepção daqueles mundos mais “lunares” e rochosos, no que toca a planetas alienígenas cheios de vida ainda não encontrei nada que me tivesse decepcionado em termos de variedade. Por muito reconhecível que um mundo seja, se explorarem bem, há sempre algo de novo por lá para descobrir.

Quem não estiver a explorar não está a jogar ao jogo. É tão simples quanto isto.

Mesmo sendo mercenário ou comerciante. A exploração é a alma do gameplay e acreditem-me NMS contém surpresas por revelar em muitos mundos.
Parem por minutos. Fiquem no topo de uma montanha e contemplem o por-do-sol.

Para mim o grande vicio nisto é o de continuar num planeta por 3 horas quando já podia seguir para outro e prosseguir as etapas da aventura mas no entanto continuo a caminhar pelas paisagens apenas porque muitas são absolutamente incríveis e é como estar dentro de um filme interactivo.

Não é por nada que o primeiro trofeu que eu ganhei em NMS foram dois sucessivos sobre exploração a pé. E isto ainda no primeiro mundo de início que curiosamente até achei bem fraquinho.
Vão por mim, a exploração a pé de um mundo daqueles cheio de vida em NMS compensa em termos de gameplay. Não revelarei mais do que isto, pois não lhes irei retirar o prazer da descoberta que já tenho tido.

NMS NÃO TEM CRIATURAS GRANDES !!

O exemplo perfeito do quanto as review negativas que andam por aí são apenas baseadas numa experiência superficial de quem testou o jogo e passou á frente está no argumento de que NMS contrariamente ao que foi publicitado não tem criaturas enormes estilo dinossauro.
Ai não ?
Se calhar se esses reviewers tivesse passado mais de 250 horas a percorrer cada planeta em detalhe, cada colina, cada montanha, cada vale que se pode visitar em NMS, se calhar digo eu, já tinham começado a encontrar criaturas grandes.

Eu só depois de explorar mais de 15 planetas, tendo passado uma média de quatro horas em cada mundo caminhando sem destino é que encontrei o meu primeiro mundo habitado por bichos realmente enormes !!
Os tais que as criticas negativas dizem por aí que não existem porque eles não viram nenhuma enquanto pulavam de planeta em planeta superficialmente .

Hmmmmm.

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 Será que NMS só começa a mostrar o que esconde quando os jogadores realmente dedicam tempo a explorar os mundos em profundidade em vez de terem pressa de chegar ao centro da galaxia ?…

Num universo com biliões de planetas à disposição, num jogo cheio de segredos por descobrir enterrados em cada mundo, não tinha lógica os criadores do jogo espetarem com todas as criaturas enormes logo desde o início !
Outra falsa acusação nas reviews negativas é a de que em NMS nunca se vêem grandes grupos de animais de espécies diferentes ao mesmo tempo , contrariamente ao que se podia ver nos trailers do jogo. Falso.
Mais uma vez posso testemunhar que estes grupos de animais começam agora a surgir nos novos mundos que tenho encontrado. Normalmente apanho um bicho do tamanho de um T-Rex e depois à sua volta existem inúmeras pequenas espécies em redor na paisagem.
Por isso esqueçam aquelas críticas que acusam o jogo de ser algo muito diferente do que prometia. Explorem !

Só lhes digo que NMS tem mais história do que parece ter sido anunciado… ou do que aquilo que muitas reviews negativas criadas por quem já supostamente pensa que completou o jogo apregoam.

Especialmente se vocês gostam de mistérios arqueológicos com uma pitada de filosofia á mistura… só têm que explorar BEM os ambientes e aposto que mais tarde ou mais cedo vão deparar-se com “a narrativa” que certamente irá ligar o gameplay ao objectivo final do jogo no que toca ao que iremos construir para ver quando alcançarmos o centro da galáxia.

 –/–

CONCLUÍNDO…

Voltando ao início para concluir, NMS é tudo o que um puto de 14 anos em 1984 sonhava ter quando brincava durante horas com jogos como ELITE, STARSTRIKE 3D ou mais tarde DRILLER para o ZX Spectrum.

Todos os mundos que sempre sonhamos um dia explorar com a liberdade total de ir onde quisermos num jogo, agora tornaram-se realidade em NMS. Todas as cenas espaciais que imaginamos quando jogávamos a StarStrike I e II no ZX Spectrum no inicio dos anos 80 agora estão ao alcance dos nossos dedos. Todos os combates espaciais em modo arcade que gostaríamos um dia de ter visto, hoje são parte de NMS e quase que ainda parece um sonho.

Para quem como eu começou em 1984 a passar horas a fio jogando a um STARSTRIKE 3D num computador de 48k com gráficos wireframe ( e “bips” por som), deparar-se agora com combates espaciais arcade no modo em que NMS proporciona é um verdadeiro sonho de criança.
Especialmente porque são absolutamente cinemáticos e deixam-nos completamente imersos neste universo virtual.
Já agora nem de propósito. A música e principalmente o som em NMS são absolutamente perfeitos. A profundidade de sons nos planetas é incrivel, a música gerada em modo ” procedural generation” também resulta muito bem e tudo em termos de atmosfera sonora contribui para nos colocar por completo num universo alienígena 100% real. A faltar alguma coisa serão talvez vozes nos alienigenas ou consolas interactivas que encontramos pelo caminho.

É verdade que a mecânica dos combates espaciais não é nada de especial como dizem as reviews que atacam o jogo; mas é puro arcade, resulta bem e consegue ter momentos de adrenalina entusiasmantes.
Em particular quando sobrevoamos cruzadores espaciais gigantes ao mesmo tempo que disparamos lasers por todo o lado e somos atacados por piratas espaciais que executam as manobras mais espectaculares. Para mim chega perfeitamente.

A última coisa que eu queria num jogo como NMS seria complexidade na forma como nos deslocamos no espaço ou no que acontece quando combatemos contra naves espaciais, por isso também não entendo o que se passa com as critícas negativas nestes aspecto pois o jogo tem o estilo de combate espacial que melhor se adequa a tudo o resto.
Por mim está fantástico e um destes dias ainda deixo de ser explorador e parto para a porrada só para andar pelo espaço a dar tiros em cruzadores espaciais carregados de riquezas. É simples ? É.
Mas é totalmente atmosférico e um verdadeiro milagre para quem se lembra do que era jogar em 3D nos jogos espaciais de há 35 anos atrás.

Falei pouco das cenas espaciais porque na verdade em termos de combate , limitei-me a ser destruído durante um ataque de piratas do espaço pois não tenho armas de jeito na nave ainda, mas deixem que lhes diga que o entusiasmo em termos de exploração no espaço também não é de todo menor quando comparado com o que se pode fazer nos planetas.

 Há muitos locais para aceder, paisagens espaciais de tirar o fôlego, armadas de naves gigantes para contemplar , atacar ou ajudar, asteróides quanto baste onde ir buscar minério e um sem número de bases espaciais, naves alienígenas misteriosas, o enigmático ATLAS que tem um visual fabuloso no espaço, etc, etc, etc.

Ou seja, mais uma vez, tudo o que vocês alguma vez desejaram ter em ELITE com uma profundidade real que dantes só em sonhos.

Aliás quanto a mim, NMS em termos visuais tem outra grande mais valia que certamente passará despercebida a quem não trabalha em ilustração.

NMS : UMA OBRA PRIMA DA ILUSTRAÇÃO !
Eu enquanto ilustrador profissional ( vejam o meu portfólio em www.icreateworlds.net ), encontrei um NMS uma ferramenta inesperada no que toca ao planeamento e inspiração para por exemplo ilustrações que tenham a ver com paisagens imaginárias.

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 Ao podermos enquadrar as nossas próprias caminhadas conseguimos utilizar as paisagens de tirar o fôlego que encontramos em NMS quase como verdadeiros tutoriais de ilustração ou ferramenta de esboço no que toca à forma como se pode compor uma paisagem.

O que me leva aquilo que neste momento é para mim a única grande falha de NMS !

A ÚNICA GRANDE FALHA DE NMS.

Não sei se dará para fabricar algo assim mais adiante na aventura, mas para mim num jogo em que a exploração é o mote da aventura é uma falha indesculpável não contarmos desde o início com “uma máquina fotográfica” para colecionarmos “memórias” de todos os locais bonitos que visitamos e descobrimos quando caminhamos durante horas por um planeta alienígena só pelo prazer de explorar.

 Um jogo como NMS deveria permitir logo à partida que pudéssemos ter uma galeria onde colecionar os nossos melhores momentos de descoberta – para mais tarde recordar.
Talvez até usar essa galeria para guardar localizações dentro do jogo de forma a podermos voltar ao nosso planeta favorito um dia ( no modo de jogo livre, por exemplo).

Portanto  eu espero que adicionem em breve uma camera fotográfica ou máquina de filmar pois num jogo de exploração um equipamento assim para mim é indispensável e nem sei como raio não nos deram sequer um mísero télemovel com uma câmera para levarmos nos nossos passeios.
Até porque não há só montanhas para explorar em NMS.
Os planetas estão cheios de cavernas, lagos, oceanos e muitas paisagens subaquáticas para explorarmos.
Practicamente tudo merece ser “fotografado”.

———————————————————————

 

É O MELHOR JOGO QUE JOGUEI ATÉ HOJE sem qualquer sombra de dúvida.

Dentro da perspectiva que referi, neste momento não há dúvida que para mim NMS é o melhor jogo a que alguma vez  joguei desde que comecei a jogar video games em 1983/84.

Tendo passado por tudo, desde (ARCADE) Pong, Pac Man, Xevious; (ZX SPECTRUM) Manic Miner, Jet Pack, Elite, Starstrike 3D; (SUPER NINTENDO) Super Mario, Zelda, Secret of Mana, Starfox; (SEGA SATURN) Panzer Dragoon; (N64) Super Mario 64 , Pilotwings; (PS1/PC/PS2…) Tomb Raider, Wipeout, Doom, Quake; GTA,World of Warcraft, etc, etc, etc, etc… não há duvida que No Man´s Sky aos 46 anos de idade conseguiu o feito de me colocar em frente a uma consola durante várias madrugadas em que o tempo voa e as horas passam.

Nunca joguei tanto tempo a um jogo como estou a jogar a este; o que ainda torna mais absurdas aquelas reviews que dizem que quanto mais se joga,  mais NMS se torna repetitivo e desinteressante… (What ?!!) … Algo me diz que algures, alguém não estará a jogar a isto como deveria ser jogado…

Não é o gameplay,  é a experiência e o vício que provoca a quem entra no espírito da coisa e se deixa levar pelo prazer da exploração apenas.
Nada como em NMS alguma vez conseguiu provocar aquela ideia de que : “Vou só ali ver o que está por detrás daquela colina … e depois páro… … … … … ” !
Ultrapassou totalmente as minhas expectativas sobre tudo o que tinha visto à volta do hype NMS e posso dizer que estou 300% satisfeito com a compra.
Não é um jogo que recomende a toda a gente, mas quem quiser uma experiência única e uma variante aos inúmeros títulos disponíveis no mercado NMS pode ser uma boa alternativa.

Para quem sempre quis saber como seria o ELITE dos tempos do ZX Spectrum se fosse feito hoje em estilo descontraído e modo arcade, tem em NMS a melhor resposta possível a essa questão.

O vosso sonho tornou-se realidade e dessa perspectiva NMS é um jogo totalmente de compra obrigatória.

Eu tinha deixado de jogar videogames há anos e no entanto quando percebi que NMS finalmente poderia vir a ser o clássico simulador espacial com que eu sempre sonhei , comprei a PS4 apenas para jogar a este jogo e estou totalmente satisfeito.
Na PS4 até agora só encontrei um jogo que também adorei por completo, “Alien Isolation” pois é tão bom e tão assustador quanto qualquer dos filmes, mas não há dúvida que NMS está a ser uma experiência em termos de jogo extraordinária.

Superou tudo o que esperava encontrar num videogame e ainda só vou no início da exploração.
No momento em que escrevo isto , cheguei à primeira estação espacial do ATLAS seis sistemas solares depois de começar o jogo três dias atrás.
Ontem encontrei a minha primeia “anómalia” espacial (descubram por vossa conta) e hoje encontrei as coordenadas do primeiro buraco negro que supostamente será um atalho para o centro da galáxia…algo que irei explorar esta madrugada certamente.

Futuramente esta review poderá ser actualizada assim que eu estiver mais avançado na aventura NMS.

—//—

LET´S SEE WHAT´S OUT THERE !!

New children book illustration website

Check out my brand new children book illustration website at: www.icreateworlds.net

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Visitem o meu novo website sobre ilustração em : www.icreatewords.net

Tutorial de Ilustração – Como se fez – “The Monuments of Mars”

Sorry english speaking friends, but right now this post will be only in Portuguese because i´ve only narrated my illustration video tutorial in my own language so far. An english version will be available in the future, so make sure you stay tuned. Nevertheless, take a peek at my video as i´m sure it will be self explanatory in most of everything if you´re into illustration.
If you´re looking for an illustrator visit me at : www.luisperes-illustration.net

Sejam bem vindos ao meu primeiro video tutorial de ilustração feito já mais a sério. A ideia com isto foi a de criar um video explicando como eu normalmente produzo as minhas ilustrações criadas em Photoshop. Essencialmente este tutorial agora difere do que se costuma habitualmente ver na internet porque eu fiz de propósito para produzir um desenho sem fazer a minima ideia do que ia sair ao inicio. O objectivo era que eu próprio encalhasse várias vezes em becos sem saída de forma a depois poder mostrar como conseguimos dar a volta quando encalhamos numa imagem.
Portanto espero que gostem do tutorial e tudo o mais que precisam de saber está explicado no seu interior.

 

O resultado final foi este:

The Monuments of Mars 4
The Monuments of Mars

 

 

Se procura um ilustrador visite-me em www.icreateworlds.net

site

Looking for an illustrator ?
www.icreateworlds.net

“Mil Nomes – O guardião do Infinito” by J.R.Pereira

Sorry english spoken friends. This time this text here will only be in Portuguese because it´s a review for a book, that for now it´s only available in Portuguese as it´s a fantasy novel from Brasil. When it´s released in English later on, i´ll add an english version for this review then. For now, this one is just for Portuguese spoken people. 😉

UPDATE OUTUBRO 2016: Infelizmente J.R.Pereira, o autor deste livro faleceu de doença prolongada um par de meses após eu ter escrito esta review. Bem antes do livro ter uma distribuição em larga escala; por isso certamente hoje se encontrarem uma cópia será talvez em alfarrabistas ou lojas de livros usados, feiras, etc.
De qualquer forma decidi manter aqui a minha review pois o livro é realmente muito original e neste momento tornou-se também num objecto de coleção que recomendo vivamente se o conseguirem encontrar. – Luis Peres 2016

REVIEW ORIGINAL

Quando eu pensava que já nada me surpreenderia no que toca a conceitos e histórias de fantasia, eis que me deparo com [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] do escritor Brasileiro J.R.Pereira e acho que ainda estou a tentar recuperar os pedaços de cérebro da parede. Isto porque ler “Mil Nomes” é uma experiência única. Pelo menos eu nunca tinha lido nada assim.


Nas suas 200 páginas há mais ideias, conceitos, criatividade e imaginação do que em muitos livros de milhares e milhares de páginas.
[“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] é um livro difícil de se ler. Mas não pensem que é por ser chato ou arrastado ou algo assim. Não, “Mil Nomes” é díficil de se ler porque, primeiro apanha o leitor totalmente desprevenido pelo próprio estilo do conceito. Quero dizer, a mim pelo menos nunca me passaria pela cabeça que alguém resolvesse um dia escrever aquilo que é essencialmente um Manga (ao melhor estilo Japonês) mas em prosa !!! What ?!!!
E resulta ?
Se resulta meus amigos !
[“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] é díficil de se ler pela mais positiva das razões e como tal – “díficil” – aqui neste caso é uma mais valia e nunca será uma coisa negativa. E o que eu quero dizer com isto ?
É assim, há tanta imaginação, mas tanta imaginação, tanta coisa a acontecer, tanto conceito criativo e o ritmo narrativo é tão dinâmico que em duas páginas há mais conteúdo para nós absorvermos e pensarmos no que lemos do que em muitos livros ditos “mais sérios” e não estava nada á espera disto num “Mil Nomes” que á partida pode parecer apenas um Manga entre outros. Mas não é.


Se [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] fosse um Anime televisivo, este teria uma montagem típicamente japonesa com tudo a acontecer ao mesmo tempo e duzentos frames de animação estilizados por segundo !
É isto que transpira através de toda a prosa de J.R.Pereira. Nota-se que há aqui um desejo tão grande de se contar uma grande história que não conseguimos evitar sentir que o autor tentou escrever cinco ou seis volumes de 500 páginas apenas num único de 200.
No entanto, isto que poderia ter destruído por completo o livro enquanto tal, acaba por lhe dar uma dinâmica única e muito viciante.
Digamos que é um Anime em prosa com uma montagem a duzentos á hora que pede uma leitura ao melhor estilo cinema de autor. Com muiiiiiita calma. Muita calma.


Sim, porque não pensem que isto lá porque se parece totalmente com uma espécie de “Dragon Ball” em versão brasileira a um primeiro olhar, queira dizer que assim é.
[“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] é um Anime em prosa que vai para além de tudo o que vocês possam imaginar e pré-conceber e como tal aposto que J.R.Pereira se encontrou no mesmo dilema que eu me encontro com o meu próprio trabalho de BD (quadrinhos) aqui em Portugal e não só. Isto é, como convencer os leitores que apesar do aspecto infantil , estes bonequinhos “para crianças” em estilo fofinho são apenas um meio para passar uma mensagem muito mais adulta ?
Imagino que [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] terá o mesmo problema em divulgação que eu tenho com o meu próprio trabalho. Muito público -adulto- nem irá sequer dar uma chance ao livro por causa do seu visual “infantil” ou estilo Manga/Anime aparentemente para crianças. E se calhar o público mais jovem poderá ficar algo indiferente a tanta temática filosófica, religiosa, politica e social que percorre todas as aventuras destes personagens fascinantes criados por J.R.Pereira.
A prosa parece escrita para crianças, mas depois o conteúdo e a mensagem vai muito para além daquilo que aparenta, como tal este é um equílibrio sempre muito complicado de se manter. Não pela qualidade da escrita mas por ser uma forma arriscada de cativar eventuais leitores.


No entanto [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”], (quando paramos para respirar durante a sua leitura, e damos um tempo para pensar no que estamos a ler), é um livro que irá agradar certamente a um vasto público que se propor a entrar por este livro a dentro sem preconceitos.
Não adianta tentarem ler este livro como todos os livros que já leram na vida. Nunca leram nada assim, garanto-vos. Agora se lhe derem uma chance tenho a certeza que se irão divertir bastante, pois há nele elementos suficientes para agradar tanto a crianças que o vão curtir pelo aspecto Anime da coisa e pelas épicas sequências de acção narradas em prosa (com alguma banda desenhada pelo meio também), como a adultos que procuram uma proposta de fantasia única.
Se pensam que já tinham visto todos os tipos de universos que havia para imaginar, meus amigos…think again !


O público jovem que goste de ler, vai curtir o ritmo narrativo alucinante deste livro, pois emula bastante bem a estrutura de um Anime televisivo ou de um Manga mas em prosa, por isso isto não é de todo uma daquelas obras que afastaria o público mais teen por poder ser considerado um livro chato.
No entanto, estranhamente para mim a grande força de [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] está no facto de ser uma história que irá agradar principalmente ao público mais adulto, pois muitas das suas temáticas serão bem melhor absorvidas por quem se interessar á partida por filosofia, religião (não no sentido religioso); e até por temas mais paranormais e científicos, isto porque este livro abrange tudo desde a temática da vida depois da morte até aos melhores e mais contemporâneos conceitos de física quântica e String Theory.
É pena este livro ainda só estar disponível em Português do Brasil, pois se existisse em inglés estou a ver o físico Michio Kaku a curtir esta leitura de uma ponta á outra, pois todo o seu conceito engloba muito daquilo que ele próprio costuma discutir nas suas apresentações e documentários científicos.

Resumindo, penso que J.R.Pereira tem aqui material para muitos e bons livros. Agora nem sei como ele irá fazer para as sequelas depois deste primeiro volume conter tanta imaginação ! Depois disto, o que mais há ainda para inventar que possa enriquecer ainda mais este universo tão fascinante e viciante ?
Pessoalmente eu adoraria, ler uma nova edição deste primeiro volume, mas com mais uns 200 páginas extra. Assim uma espécie de “directors cut” mas com muitas cenas adicionais. Penso que apesar de [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] já ser suficientemente viciante e cativante como está, teria tudo a ganhar numa revisão mais pausada onde houvesse mais espaço na narrativa para intercalar melhor as cenas de acção épicas ou sequências mais imaginativas, quando mais não seja para que o leitor não fique com o cérebro frito a uma primeira leitura deste inesperado e fascinante universo Manga em prosa.


Totalmente recomendado a quem procura uma proposta inesperada dentro do estilo de fantasia e algo que vai muito para além do aspecto simples e infantil que o livro tem a um primeiro olhar.
Eu por mim estou curioso com o que acontecerá numa sequela que espero não demore muito a acontecer, pois a haver algo de menos positivo nisto tudo é apenas aquele gostinho a pouco que fica no fim da leitura pois mesmo apesar dos milhares de detalhes e pormenores imaginativos, esta primeira aventura deixa-nos com aquele sabor a uma introdução de personagens e ficamos com vontade de acompanhar uma historia em que já não haja necessidade de tão minuciosamente explicar quem é quem.

Não posso deixar de terminar esta review, sem referir que provavelmente só mesmo em “brasileiro” é que se conseguiria escrever um Manga/Anime em prosa mantendo uma atmosfera totalmente fiel ás suas influências nipónicas. Isto porque nem em Português de Portugal eu acho que alguém conseguiria produzir um livro assim, principalmente porque o “colorido” da própria lingua “brasileira” é simplesmente perfeito perfeito para criar aquela atmosfera “cute” e fofinha totalmente Manga e como tal esta é uma das razões que tudo resulta num óptimo conjunto.
E por falar em Manga, o livro é em prosa, mas as últimas páginas são em banda-desenhada (quadrinhos para vocês no Brasil) desenhadas exactamente no estilo Manga , o que complementa de uma forma bastante original todo o trabalho e harmoniza ainda mais todas as ilustrações que estão espalhadas pelo livro com uma identidade visual excelente e cheia de personalidade.
Só é pena o livro não ter mais desenhos ainda.


Mas afinal [“Mil Nomes – O Guardião do Infinito”] é sobre o quê ?
Quem gosta de temas filosóficos, com base em inúmeras correntes de pensamento, esoterismo quanto baste e uma pitada de fisica quântica vai gostar de espreitar isto. Além disso mesmo com todas as suas influências exteriores nunca perde uma identidade Brasileira o que só lhe fica bem.
Mesmo que eu quisesse eu não lhes conseguiria resumir uma parcela de toda a imaginação que existe apenas logo nos primeiros capítulos, quanto mais no resto do livro.
O primeiro capítulo é demais ! E o segundo também… e o terceiro…

Uma história cinco estrelas para quem pensa que já viu tudo no que toca a universos originais que vale a pena descobrir e cheira-me que isto ainda tem muito para dar.
É um livro num formato pequeno mas com muito conteudo e um grafismo muito agradável e cativante a todos os níveis também e que dá para levar para todo o lado, sendo uma espécie de literatura light em aspecto mas com muito muito conteúdo que ainda poderá provocar uma discussão filosófica ou duas entre leitores. 😉


 

 

 

THE LORD OF THE RINGS – BBC Radio adaptation – “One audio book to rule them all !”

MY PRECIOUS…

Welcome. This will be a review for THE LORD OF THE RINGS and it´s here because the original masterwork from Tokien it´s one of my main inspiration sources for when i´m creating illustrations and so i had to talk about it on this blog too.

box

Actually, I´m not talking about the brilliant Peter Jackson movies or about the original novels even, but I want to present you the almost forgotten and fantastic BBC Radio Adaptation produced back in 1981 more than twenty five years ago wich still remains in my opinion one of the best audio books you can ever buy or listen to.
If not the best ever !
And it´s mine, it´s my precious !…ssss.

By the way, the cover you see above is the modern cover for this product. It was now re-released again because of the movie´s success and so that is the new look for the box cover. I don´t know how the interior package looks like.

The other photos you see on this article below are from my very own purchase and they represent the version which was available some years ago on amazon.uk, (you can stil find this version in amazon sellers if you want to). This version was presented in a box, which contained this really cool hardcover book with all the Cds in it, a small booklet with plenty of notes about the making of and also a map of middle earth.

THE LORD OF THE RINGS
AN EPIC AUDIO BOOK FROM BBC !

Yes, it´s The Lord of the Rings by J R R Tolkien but in a radio dramatized version with a huge cast and it´s hard to describe in words something that can only be truly experienced by sound. After its initial radio broadcast in England, it became available in cassettes for a while, until it was released in CD around 1999.

The Lord of the Ring BBC Radio adaptation - audio book review

I first listened this incredible radio play, about eleven years ago, when i bought it in CD from Amazon.Uk attracted by some reviews but i was not expecting this at all for the quality of this radio production rivals the work of Peter Jackson but in audio form.
It got me hooked on audio books since then, and since then i´ve been searching for something that could top it but to this day nothing ever came close to it.

Ready to return to Middle Earth ?
If you´ve check out the dvd extras in Peter Jackson´s Lord of the Rings movie adaptations, you probably didn´t noticed a guy called Brian Sibley.He was there for more than one reason, and among them is because he´s the person behind the first ever great adaptation of Tolkien´s novel. Precisely the BBC Radio dramatization of The Lord of the Rings, which was also used by Peter Jackson to help planning the initial structure of the movies and so, if you´ve never heard about the radio version of this story, you can see there´s much more to it than it seems at first.
The radio version of The Lord of the Rings,  is about 12 hours long (more or less the same as the new Peter Jackson movies altogether), and  immediately got a place of honor on my bookshelve next to the printed traditional Lord of the Rings novels.
In fact, it still surprises me that although, the BBC Radio adaptation is popular among people who love audio books, it´s not very well known outside that circle of fans.

Although it´s not exactly part of the official Peter Jackson´s movie versions Lord of the Rings merchandise, for obvious reasons, it surely deserves to have a place in the heart and bookshelves of everybody who loved the movies or read the books and so i hope this text now, will contribute to spread the word around about this incredible alternative to the dvds or the books themselves.
If you like books on tape, or you´re curious about them and never listened to one, this is the first one you should get.

As good as the movies in all aspects and even if you don´t like Fantasy, but enjoy good acting, you´ll be amazed at the quality of this audio production.

AS GOOD AS THE MOVIES IF NOT EVEN BETTER !

Huge cast of perfect voices, great editing and to top everything there´s an incredible music for this Lord of the Rings soundtrack too, that you won´t forget and its as cinematic as the music from the movies.
At this point i still don´t know which of the two i like best yet.
Also the BBC radio adaptation differs from the movies because it´s more faithful to the books. There´s a few chapters left out of the movies and the ending is the original one written in the novel by Tolkien with the original structure and it´s different from the ending in the movies. So if you haven´t read the books and only saw Peter Jackson´s adaptation you´ll enjoy to discover how the real ending of the books was done. It´s all here in the BBC radio version.
The only thing left is once again the strange chapter about Tom Bombadil for those who know what I´m talking about. This radio version also left that one out for obvious reasons that all Tolkien book fans understand.
There´s so much to tell about this work, but at the same time i don´t want to spoil the joy of discovery, so let me see…I can start by speaking about the voice cast.
It´s brilliant ! You don´t need to know more.

Actually…I can tell you that if you love the Lord of the Rings movies, you´ll recognize many of the characters just by listening to them in this radio version. Although this audio production was created around 1981, you´ll be amazed at the similarity between some of the voice acting here and the actual voices of the actors that Peter Jackson cast for the modern movie versions.
You´ll feel right at home and sometimes if you close your eyes it almost feels like you´re listening to an alternative movie cut.

Middle-Earth Dejà-vu… 🙂
Gandalf´s voice (Michael Hordern), is almost the same as in the modern movie versions, the same goes for Frodo and Sam, and some other characters too, which demonstrates how influential this radio version was for the making of the movies more than twenty years later.
Ian Holm, wich in the movies now played Bilbo Baggins, in the audio-book, plays Frodo Baggins instead and it´s brilliant. It´s almost like you´re listening to Elijah Wood creating the same character nowadays. It´s really weird.

And wait until you get to ear Gollum !

Before the Lord of the Rings movie trilogy came out, i lent this audio book to my friends and after listening to it, they went around the streets screaming “Precioussssss ! My preciousssss !” long before the common person ever heard of the movies and so you can imagine the reactions.

EVERYBODY LOVES GOLLUM !

The actor that plays Gollum in this radio version, is the same one who created the interpretation for the character in the infamous Ralph Basky animated movie of the 70´s. The same one where Andy Serkis based its performance as talked about in the dvd movie extras.
There´s almost no difference between the voice acting in this audio book and the magnificent work that Andy Serkis did for the movies. It´s like a continuation of a brilliant performance shared by two actors, Peter Woodthorpe and Serkis.
If you loved Gollum in the movies, and don´t know this audio book, get ready for a surprise. You´ll love it !

 

HOBBITS, POEMS AND MIDDLE EARTH SONGS.

I don´t want to continue writting a giant text here as i had plenty to say about this fantastic Lord of the Rings audio book, so let me summarize the remaining brilliant features of this production.
If you loved Tolkien´s poems from the original books, and you missed them in the movies, you´ll absolutely adore what Brian Sibley has done with some of those bits. Many Hobbit and Middle Earth songs are put to music an sung during the story and contrary to what would be expected they don´t sound corny at all. In fact, the songs fit just right into the narrative and you´ll be completely fascinated by the power of sound to carry you into a fantasy world.

The music soundtrack is beautiful overall, and best of all, you can have it on a isolated CD that comes with the 13 Cd set.

A DIFFERENT VIEW

As an adaptation, well, it´s as good (or bad depending on the views) as the movie was. There are some bits missing from the novels, some events changed around, (exactely like in the movies), and like I said the Tom Bombadil episode is also absent, but nothing can detract this work from being an incredible masterpiece of voice acting and storytelling, that you must buy today.
The only thing that i don´t like at all, is the way the first episode begins with Gollum being captured by the Orcs. It sounds weird (the orcs sound too British and polite), and starting the story at the middle can be a bit confuse for those who don´t know the books. In my opinion it was a very bad choice to begin this magnificent work in this way.
But don´t worry, once we get to the Shire about five minutes into the episode, you´ll start to love it and you´ll be totally hooked ! Trust me.

A funny trivia about the project, was in the fact that Michael Horden who plays Gandalf, did it without even liking the book or understanding of what it was about as it was known at the time that he only did it basically for the money and as a job opportunity. If it was like that and his Gandalf is absolutely incredible, i wonder how it would come out if Horden actually liked Fantasy novels ? His performance in this audio book is just pure Tolkien and you can find much of Horden´s Gandalf in McKellen´s work later in the movies themselves.

Buy the right version. The BBC one.

I would recommend you buy the European Edition, (the golden one you see in all the photographs above , either my version or the new box),
It´s worth the price. Believe me and go for it.

In alternative, you can search for the American editions of the BBC version. There´s now TWO as i understand…the one with the more colorful package and a new one similar to the european but with an ugly design.

All editions carry a folded map of Middle Earth which looks the same as the one in the books.

Other safe european editions to buy are these ones where you can either buy the trilogy in separate CDs

cd-bbc-lotr-thefellowshipofthering  cd-bbc-lotr-thetwotowers  cd-bbc-lotr-thereturnoftheking

CD THE FELLOWSHIP OF THE RING
https://www.amazon.co.uk/gp/product/0563536594/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=0563536594&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

CD THE TWO TOWERS
https://www.amazon.co.uk/gp/product/0563536578/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=0563536578&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

CD THE RETURN OF THE KING
https://www.amazon.co.uk/gp/product/0563536594/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=0563536594&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

… or even buy a new excellent edition with both BBC the Lord of the Rings COMPLETE TRILOGY and the earlier BBC The Hobbit radio dramatization of which I´ve spoken in this blog in a separate review and it´s excellent too. This is my pick to buy for sure.

bbc-hobbit-lotr-audio

https://www.amazon.co.uk/gp/product/144586150X/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=144586150X&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

DO NOT BUY THE AMERICAN radio adaptation by mistake.

No matter what you get, make sure you´re buying the BBC RADIO Dramatization with Ian Holm starring as Frodo.
There´s 2 radio adaptations out there. The BBC and the American one.
Make sure you´re getting the BBC one first.
There´s another radio-play adapting the Lord of the Rings but don´t get that one, before you listen to the BBC one. Please !
The other is known as the National Public Radio Version and it´s the American one, much inferior to the English for many reasons which i´ll detail in my other review in the future.

Beware, then. Get the right radio-play, the (English) BBC Radio version, not the National Radio Play (American) one which is depicted on this photo right here.

I know that wooden box looks much cooler and atmospheric than the other packaging for the BBC versions but don´t be fooled by a pretty box.
Make sure you listen to the original English one first and then you can check out the US inferior version to compare. But only then. Not before. Trust me. 😉

You´ll love the original.

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More photos from the creation of my illustrations (TreeWorld (alternate version) and Ufo Kid) – Mais fotos da criação de algumas ilustrações.

If you´re like me, you´re probably always curious about the process of creating an illustration, so in this section i´ll try to document the creation process of some of my pictures, (when i remember to take photos as i go along…).
I´ll not do an exaustive step by step for each pic, but i´m planning some visual tutorials on how i create my style of art, so if you guys and girls like this Making of section, soon i´ll start creating detailed tutorials because the best way to learn is to see how it´s done. 😉

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Se forem como eu, provavelmente gostarão de conhecer como são criadas muitas das ilustrações que encontram, por isso nesta secção eu agora irei colocando algumas fotografias do processo criativo, (quando me lembrar de ir tirando fotos….).
Não será ainda uma exaustiva documentação de todo o processo, mas se vocês gostarem de espreitar este tipo de coisas, em breve penso criar uns tutoriais-passo-a-passo, pois a melhor forma de aprender a fazer algo é ver como se faz. 😉

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“The Big Blue / Le Grand Bleu” by Luc Besson

You may ask yourselves, what the heck is this guy now doing speaking about movies on a blog that was suposed to be just a plain illustration blog.
Well, that´s the point. An illustration blog in my view has a lot to gain not just by presenting an artist´s work as a continuous portfolio, but also in giving a glimpse of how the person behind the drawings thinks and feels. Particulary speaking about inspiration sources that can also be useful for the reader.
And nothing gets me more inspired when it comes to movie references than [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] by Luc Besson.
A lot of my illustrations have a little bit of ocean somewhere (or water) because of this movie.
So let me introduce it to you.

If you never eard about [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] , but you love the sea, you´re totally fascinated by the ocean and believe that dolphins really are another inteligent race co-existing with humans under the same sky, stop reading this text now and go buy the movie.
And if you´re a diver don´t even blink before you do it.
No, really, don´t waste any time because if you have any connection whatsoever with the sea and never even knew that a movie like this existed, you´ll already want to own a copy ot it. Yes you do. You just don´t know it yet.

And yes you can get [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] from tons of torrents out there. And it´s ok if you do, but trust me, this is a movie that deserves to be seen in magnificent digital original  and not as a bootleg dvd rip out there because its magic depends totally between the combination of image and sound so do yourself a favor and buy the thing now, because you will sooner or later anyway.

[“The Big Blue – Le Grand Bleu“] is a unique story and movie. Not only within the filmography of Luc Besson, but in Cinema generally speaking and it´s the film that is even sometimes loved by people that usually dislike Besson´s work a lot.
Simply because there´s nothing like this movie out there.
A note of caution though; if you´re expecting something like a sci-fi thriller that´s hinted on trailer for the american release, forget it and go see Transformers instead. It has some good sci-fi medical based themes in it but it´s not what you expect it to be if you believe what the trailer tells you.
The trailer for the american/international release of [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] must be one of the most horrendous trailers ever created to sell a movie to the american (and americanized) audiences. If not, the most misleading trailer ever done too.

By looking at the available american trailer, you might think Luc Besson´s movie about the ocean, is something like a strange high-tech thriller. Something like “Leon” with dolphins, a touch of James Cameron stuff throwned in and a lot of James Bond locations, perhaps.
Sorry people, it´s not.
The locations rival anything that ever appeared in a 007 movie allright, but techno-thriller [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] ain´t.
Oh, and there´s no mystery at all to be solved contrary to what that boomed voice anounces in the trailer.
The only mystery in this movie is , who came up with such a ridiculous and misleading trailler ?!!
People who´ve paid tickets thinking this was some kind of action adventure high-tech thriller should have sued the american studio which distributed such a poetic film pretending that [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] was something that it never was, or could ever be for that matter.

But what´s  The Big Blue about ?
This is the worst thing anyone can ask about this movie and I would have hated to be the guy who had to publicize this in USA for the popcorn market.
If you´re not affraid of watching a story that has its own pace, don´t worry, [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] it´s not one of those mega boring Art-House so called masterpieces of Art that scare so many people out.
Although  the modern popcorn crowd  won´t like i´m sure. Simply because this is not one of those movies with 200 frames per second, mega-fast paced editing in MTV style and an action special effects scene between X amount of screen time.
Luc Besson created [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] as a contemplative poem and a love story about the ocean. There´s no giant robots in sight that change into cool cars, teenagers that wear the latest fashion clothes and nobody lunches at McDonalds in [“The Big Blue – Le Grand Bleu“].

What more can i say about it?… That it´s the story of two friends who compete to find out who´s best ?…It´s more than that ! That it´s a love story ? It goes much beyond a typical love story ! That it´s an adventure ? You bet it is ! But it has no action, no chases,no dangerous cliffangers, no guns and no explosions. It doesn´t even has bad guys ! Or good guys in fact. It´s a travel film or a road movie then… Probably. The locations in this movie are breath-taking and they´re all real.

[“The Big Blue – Le Grand Bleu“] is not an action movie, it´s not a thriller and there are no aliens hiding under the ocean, (come to think…maybe there are…). Anyway it´s not an action packed underwater adventure car chases,  guns, action scenes, nothing. And it´s definetely not a romantic comedy for teens, although it must be the greatest date movie ever created. Why ? Well if your girlfriend loves dolphins…this is the one to see. Trust me.
What ?! You don´t like dolphins ?!! You will.

So, there´s a woman and two men in it. There´s got to be a love triangle there to cause all those love story rivalry subplots, right ? Well, there´s a love triangle, but there aren´t subplots attached to it.
In fact the love triangle has more than three people.
All characters are a part of it really. Including dolphins and even the ocean !

Aha ! So this is some sort of a kinky erotic and exotic movie thing ? Wrong ! There´s sex in it, but not in that way at all.
It´s a comedy then… You´ll laugh, but you´ll cry too.
It´s a drama … Not in the conventional cliché way. Not at all.
A dramatic comedy… Nope !

It´s a sci-fi film !… Actually you might not even notice that bit of the plot, but now that i´ve seen The Big Blue more times than i can make you believe I did, i really can see this story as a sci-fi tale too. Not only the dolphins are presented in a subliminar way like just another race of beings (that also double for mermaids in the general mythology within the story), but also everything around what makes the character of Jaqques Mayol be like a human dolphin could have been writen in a good hardcore sci-fi novel. So i guess [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] can have its place among the best science fiction movies ever without being one openly, because contrary to what the american trailer wants you to believe, it never tries to be one.
But it´s more sci-fi than 99% of the special effects stravaganzas that come out of Hollywood nowadays, this you can bet. It´s sci-fi in a subtil way, more like a 2001 Space Odissey in the ocean than Transformers if you get my idea…

So what is this movie really about ?!!
It´s about what you want it to be.
About what you´re feeling.
It´s that open. You just have to feel it.
As Luc Besson said in an interview, at some point in the making of the movie he was stuck, because he didn´t knew how to carry the audience inside his world of water and solitude.

Then the real Jaqques Mayol, who worked in the film as a diving and story consultant took Besson diving with him one day and made him experience the sea in his way.
This way Besson understood that he didn´t had to explain anything to the audience.
He just had to make people feel what it was like !
And boy, did he make it !

The atmosphere in this movie goes beyond words. It has to be felt ! And you will.
Also the soundtrack is out of this world and trully magical as it fits the scenes like a soundtrack rarely does nowadays and it in itself an isolated character in the plot controling the tone of the viewers emotions from afar.

To me this film is about love, but in a much deeper meaning than the usual.
Beyond race, beyond gender, beyond sex, beyond nationality.
Love as an emotion and friendship as some kind of different love too.
And about freedom !
Specialy about freedom.

So get a wide screen TV and a full blast surround.
[“The Big Blue – Le Grand Bleu“] is the reason to buy one if you don´t have it, believe me ! And watch it in the dark.
And by the way…do yourself a favor and watch only the so called “Directors Cut” with more than 160 minutes, not the short 130 minutes one. Please.
That long cut is in fact the real movie before the American distributors had butchered it and reedited it to create the theatrical “international” version that most people knew until Luc Besson released the complete version which is now available everywhere.
Watching the two versions it´s like watching two different movies altogheter and the longer original cut really makes a difference in everything.

The american short version in the States even had all the incredible original soundtrack created by Eric Serra erased and replaced with an american one because the american distributors at the time felt they needed the movie to sound more like a Pop videoclip to compensate for the slow pace of the story (they even tried to eliminate).
This short version in America even had to have a different ending, because the studios wanted a clear and definitive happy ending without any ambiguity so one was even created or the movie wouldn´t be released in america and to the world. It´s even hard to believe !

Anyway, everything is great nowadays, the movie is back in it´s full lenght and it´s also available now in Blu-Ray, wich includes a 90+ minutes making of documentary wich no [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] fan will want to miss. Altough i cannot comment on it yet because i have yet to see it too.
Just make sure you get the English Blu-Ray recently released (or the old dvd for the long version) and don´t go buy the movie in France .
Although [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] is a French movie, its original soundtrack is in English, but the french edition of the Blu-Ray only has the french dubbed version and not the original english dialogues. So beware, make sure you buy the UK release and not the french one.

This is the movie of my life and so i had to tell everyone here about it, because it´s definetly a major, major influence in all my art (even when it doesn´t seems like) and i consider it a good example of how something like a movie can affect the life of a person.
I never before saw a film that i could identify myself so much with. I´m lucky enough to live in a place near the sea very similar and as beautiful as those in the movie and the opening scenes always remind me of my teenage years and the waters i explored like young Jaqques Mayol does in the beginning of the movie. And there still things in there that i still do. So i immediatley related to the character and its love for the ocean.

I guess that´s the beauty of this movie. It makes us feel that we could be any of its characters, because they´re so real. We almost can´t believe that they don´t exist outside of the movie.
And by the way, full marks to all the actors.
Years ago when i learned that the guy who played the unforgetable Italian character Enzo, was in fact Jean Reno a French actor that never even dived before acepting this role, i had to pick up pieces of my chin from the floor and to me Enzo, remains the best work Jean Reno ever did. Altough he´s more popular due to the other Luc Besson´s movie -Leon- because it was the action movie that presented Jean Reno to Hollywood, to me the unforgetable Enzo will always be his top movie acting performance. You´ll never find a more Italian character in movies than Enzo, played by this brilliant french actor wich steals the show in almost all scenes is in.

And let´s not forget about Rosana Arquette e Jean Marc Barr as Joanna and Jaqques wich are absolutely brilliant also and bring us totally believable persons on the screen to a point we totally forget we´re watching actors in a movie.
The character of Jaqques Mayol is the soul of the movie and Joanna is one of the best romantic female characters of the 80´s due to a simplicity you will love and be totally mesmerized by.

In fact [“The Big Blue – Le Grand Bleu“] is one of those movies totally rich in characters that you´ll never forgget with great performances from the cast. Sergio Castellito as Roberto, Enzo´s brother is the perfect choice and another proof that Luc Besson can write good parts even for the secondary characters, wich of course brings me to, Mama ! Or i´d better not…

You´ll find out by yourself.
Another detail worth mention is the children casting which is incredible.
The kids look exactly like their adult versions of the characters and they really can act.
Simply one of the best child castings to fit older characters i´ve seen up to this day.

It´s an amazing ,beautifuly well written ,acted, photographed and directed movie ! It carries us into an extraordinary world, and it´s our world !! (mine at least to some point) Not some Hollywood depiction of reality.
And besides, it has the most amazing scenes with dolphins you´ll ever see in a movie !
All among incredible scenery and almost enchanted seascapes that you´ll never forget.

[“The Big Blue – Le Grand Bleu“] it´s my top inspiring movie when it comes to create illustration and i can bet that if you´re a bit like me, soon, it will be yours too. 😉
Oh, and you´ll be quoting its lines for years to come too, as it´s one of those screenplays filled with memorable dialogues…Roberto mio parmo … 😉
Go get it.
It´s brilliant, a masterpiece of atmosphere and visual poetry and a totally unique story and movie with unforgetable characters.

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ADITIONAL NOTES

Bellow is a bit of the begining of the movie for you to check out if this is your type of atmosphere or not. The begins in black in white then opens into full color about 10 minutes into the picture.

There´s a great alternative new trailer created for the release of the full version of the movie, that you need to check it out because it has almost a magic feel to it and conveys beautifuly the atmosphere of the story.
Click here to see this new good trailer.

You can get it from here, but if you feel this is your type of movie, go buy it right away because it´s one that deserves to be experienced in the best technical conditions you can get and not just through a crappy dvd rip copy.

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“In a hole in the ground there lived a hobbit.” – THE HOBBIT – BBC Radio adaptation – Audio book

As an illustrator, one of the questions i get asked the most since i professionaly started on this path back in 1992, is:
– “Where do you come up with this crazy stuff ?!!!”
This was the top question thrown at me back in the days before Fantasy was fashionable and before it became so popular within the general mainstream audience; thanks to the new hit movies we all know and love.
Before Peter Jackson´s – The Lord of the Rings – presented the genre to the casual movie goer, it´s hard to believe but not many people read Fantasy books (not like today anyway), and so only the real genre fans knew about “A Wizard of Earthsea” by Ursula Le Guin, “Chronicles of Narnia” by C.S.Lewis and of course, “The Hobbit” and “The Lord of the Rings” by Tolkien, that inspired so many artists like me myself to create our own worlds of fantasy.

But back then Fantasy was treated almost like the poor retarded cousin of science-fiction (or worse; some fairytale crap for little children) and so illustrators like me that created images within those imaginary universes always got that odd look from observers and the usual question was always inevitable:
“Where do you come up with this crazy stuff ?!!!”
Followed by the inevitable: – “Isn´t that for little kids ? Do you still like fairytales ?!“(chukles).

Well, speaking for myself, i always got inspiration from the sea and the seascapes from around where i live, from fantasy books, earlier fantasy movies (The Neverending Story, Lady Hawke, Legend) and more recently in the last 10 years from audiobooks.
So now, i decided to share here on this blog, some of the best ones i know and that i´ve listened to over the years and that still inspire me today to create my art.
I always wanted to diversify this webspace talking about some of my best inspiration sources and so let´s start with one of the very best.
Let´s talk about  THE HOBBIT.
Not the upcoming Peter Jackson movie, but about the almost forgotten and fantastic BBC Radio Adaptation produced back in the 60´s more than fourty years ago.

Nowadays almost everyone who has seen the Lord of the Rings movies knows about the early novel that later developed into that now famous trilogy. Many people have read the book, but maybe not so many people know that this early novel was also adapted by BBC Radio back in the 1960s.
To me, altough the BBC 1981 Radio adaptation of Lord of the Rings overall is the best audiobook ever made, nothing beats the first minutes of narration in this earlier radio adaptation for pure Tolkien atmosphere and i´ll be very surprised if the opening of the upcoming Peter Jackson movie adaptation can match the one in this audiobook.

“In a hole in the ground there lived a hobbit. Not a nasty, dirty, wet hole, filled with the ends of worms and an oozy smell, nor yet a dry, bare, sandy hole with nothing in it to sit down on or to eat: it was a hobbit-hole, and that means comfort.”

This is how the story starts off .  If you´re a fan of the book and never listened to this 1968 BBC Radio adaptation you´re in for a treat.
There´s no way i can describe in words what two actors can do with only their acting skills backed up by the perfect music soundtrack to fit the original text.

Essentialy, instead of just having this initial and totaly iconic bit of narration read by a single person, this was transformed into a dialogue between Gandalf and Bilbo Baggins as they both start to tell this magic tale and in the process interrupt each other with snippets taken from the original text in a way that i wasn´t expecting at all but wich is simply a brilliant piece of audio narration that not only remains true to the original writen material but enhaces the whole initial setting of this amazing prelude to The Lord of the Rings.

After listening to the begining of this audiobook you´ll never be able to read the actual writen book without thinking of this narration and play it inside your mind as you read along. I guarantee you.
It´s that good.
Yet again, if you never listened to this and you´re a fan of the book, you really, really must get this one too along with the LOTR Brian Sibley adaptation. Yes you do. You don´t know it yet, but you really, really want to.;)
After reviewing in this website the BBC Radio adaptation of The Lord of the Rings, i simply had to do The Hobbit next as it was the most logical recomendation to present to those who are looking for audio books on mp3 or cd and even good audio books for children. After all this book was writen as a novel for kids to begin with.

The Hobbit radio play is as good as the Lord of the Rings BBC Radio adaptation…although diferent.
This 1968 BBC Radio earlier atempt to adapt a Tolkien novel, has a totaly diferent feel to the later 1981 LOTR adaptation.
Actualy if feels much simple. The cast is smaller, the soundtrack is much more like Celtic music without that big movie orchestration from the Sibley LOTR adaptation but this whole setting is just perfect to adapt the much less complicated novel that lead to The Lord of the Rings as The Hobbit is also a much simple book than what later followed.
It might sound less sofisticated, (the sound quality is also much inferior than what you can listen to for the LOTR later adaptation), but the 1968 BBC Radio adaptation for The Hobbit is in my view another masterpiece of audio dramatization and so i guess i must consider it as the second best audio book i ever listened.
And probably you will too. 🙂

This radio play is a good and captivating adaptation that follows the book very well, with a couple of exceptions that in my view are not even worth mentioning as they don´t ruin the original work at all and the acting is absolutely fantastic. Gandalf sounds diferent than what was later done for the LOTR adaptation but nevertheless it´s the perfect interpretation for this character as it appears in The Hobbit.
And Bilbo Baggins audio depiction is not only perfect and brilliant but absolutely captivating as you can really believe that if it had existed somewhere it would surely sound like that.
The whole dramatization has a very British feel to it and that couldn´t complement the book better as the rural atmosphere from this work totaly carries you into an earlier Middle-Earth to simplier times long before the events of The Lord of the Rings.

Technicaly, nowadays this BBC Radio adaptation might sound a bit disapointing to those who will go into it expecting modern  state of the art sound effects and atmosphere, but remember this was done more than 40 years ago and at the time it must have been a radio event i´m sure.
Nevertheless, do not worry, as there is nothing here that will prevent you from enjoying this amazing prelude to The Lord of the Rings as much you probably liked the 1981 adaptation.


It´s a must buy if you love Fantasy, so don´t try to resist.
Even if you download it in mp3, i believe you´ll want to own the original edition after you listen to it. One of many available with different covers.

And by the way…speaking of mp3…The weird music in this radio play adaptation of The Hobbit fits the tale perfectly altough it doesn´t carry the same modern cinematic punch that was present in LOTR BBC soundtrack made more than ten years later but has tons of atmosphere nevertheless and fits perfectly with this magic tale.
The actors shine through, the characters are alive and if you´re a Tolkien fan you can´t miss this audio book, particulary if you never listened to it before.
It sure deserves a place in any good audio book club.
You can download it on the net for free, (but not in free audio books legal websites) but don´t waste your time, just buy the thing because if you love the book after listening to this version you´l want to own the audio book.
Besides it looks cool on the bookshelves next to the actual writen book as it´s got a nice package. Go buy, listen to it and enjoy pure Tolkien magic.
Then get The Lord of the Rings BBC Radio adaptation too. Because after this one, you know you have to anyway. 😉

But wait…What´s a Hobbit ?!
To those out there who never eard of The Hobbit as a book, well…have you seen The Lord of the Rings movies ? Want to know in detail how Bilbo Baggins found the One Ring and met Gollum ? It´s all in this book.
And in the audio book as this is another of the best books on tape you can get and it´s been re-released in 5 cds along with some goodies such as a Tolkien interview and aditional music.
If you´re searching to buy good online audio books and you love fantasy, you cannot go wrong buying this one, either in the UK edition or American ones as there are now a couple of diferent editions with a variety of covers available on CD.

Just make sure you´re getting the BBC Radio dramatization and not the book read by a narrator to get this version. Either for The Hobbit or for The Lord of the Rings. Above are some of the Uk and American releases.

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ADITIONAL NOTES:

Somebody, posted the entire radio play on Youtube, so what are you waiting ?!!
The sound is not as good as in the CDs (or very good at all) but you won´t care after five minutes of listening to this brilliant radio adaptation. Trust me, you´ll love it !

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Here´s the complete links for all youtube episodes:
THE HOBBIT
or There and back again, by Bilbo Baggins aka as Tolkien.

Episode One part 1
Episode One part 2
Episode One part 3

Episode Two part 1
Episode Two part 2
Episode Two part 3

Episode Three part 1
Episode Three part 2
Episode Three part 3

Episode Four part 1
Episode Four part 2
Episode Four part 3

Episode Five part 1
Episode Five part 2
Episode Five part 3

Episode Six part 1
Episode Six part 2
Episode Six part 3

Episode Seven part 1
Episode Seven part 2
Episode Seven part 3

Episode Eight part 1
Episode Eight part 2
Episode Eight part 3

THE END

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In case you want to listen to the full play in MP3 before you decide to buy it on CD, you can download the full episodes in mp3 here.

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Learning to fly 01 – Background color test and making of…sort of…

This is just the first test i did for a new illustration i´m working on for a commissioned set of pics to illustrate a children book.
The final illustration will have one more character in it, but this is the first one i did, so i wanted to try and see what color mood could work best for a background setting.
Actually this simple version ended up looking like a greeting card somehow…hmmmm………
Along with this pic i´m also posting some photos of the creation process.

Este é o primeiro teste relativo a uma das novas ilustrações que me encomendaram para um projecto de livros para crianças em inglaterra. A imagem final irá ter ainda mais um personagem mas como criei já este bonequinho quis ver como ficaria com um background por detrás e encontrar o tom de cor certo para talvez usar mais adiante.
Curiosamente este teste simples agora parece-se com um cartão postal….hmmm…..ideias….
Coloquei abaixo também algumas fotos do processo de criação deste personagem.

Stay tuned for the rest of the pic, i´m still working on. 😉
Em breve, o resto da imagem pois ainda estou a trabalhar no que falta. 😉

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